É de hoje… Se fosse assim

Antes que 2021 entrasse em cena, imagens postas a circular nas redes sociais mostravam um cenário nada abonatório para uma obra sob a chancela do PIIM na província do Cunene. Tratava-se de uma vala que levaria água para uma determinada região, mas que já se apresentava completamente degradada por suposto erro técnico.

Pelas imagens, que não foram desmentidas ainda este ano que acabara de começar, a construção terá tido erros básicos. A camada de cimento que envolve a própria vala era diminuta, fazendo mais lembrar a manteiga besuntada na fatia de pão. A empresa em questão não parece ser muito conhecida, ou seja, não integra o leque daquelas tradicionais que ao longo dos anos vimos se destacarem no sector das obras públicas. Não se pretende com isso coarctar o empreendedorismo neste ramo, mas Angola, como se sabe, padece há muito do oportunismo neste segmento, o que faz com que surjam empresas ad hoc para determinadas empreitadas.

Do mesmo modo que se viu o aparecimento de empresas até desconhecidas para as grandes obras, a nível do PIIM também em muitas províncias se deu primazia a entidades até então desconhecidas, muitas das quais sem qualquer experiência para as obras que receberam. Basta olhar para o nome de algumas destas firmas para se perceber mais do oportunismo do que propriamente da capacidade.

A partilha é conhecida há bastante tempo. Muitos governadores, vice-governadores, directores nacionais e até entidades ligadas a outras instituições acabam por beneficiar de uma fatia. Não se trata de nenhuma heresia. Uns os fazem usando os próprios nomes e outros escondendo- se em laranjas, que acabam por ser beneficiados em muitos dos concursos feitos sob a capa do Executivo.

É preciso que se encare de outra forma os concursos no sector da construção civil se pretendemos ter alguma qualidade nas obras e a aprovação dos próprios cidadãos. Tal como em determinados momentos se exige, seria bom que para estes concursos também fossem necessários requisitos como experiência no sector durante algum tempo e a exibição do que já se fez.

Claro que uns dirão que serão excluídos. Mas não se pode dar a principiantes infra-estruturas que, à partida, se espera que mude a vida das pessoas a indivíduos duvidosos. Um dos fardos do PIIM , cujos resultados têm que começar a ser sentidos este ano, será a inexperiência de muitos que foram habilitados para o efeito.