É de hoje… Teka dya Kinda

Assinala-se hoje, 4 de Janeiro, o dia consagrado aos Mártires do 4 de Janeiro. Num dia como o de hoje, o país era colocado num prisma em que centenas ou milhares de angolanos eram bombardeados por não concordarem com aquilo que era o sistema colonial português. Para muitos, se calhar, era o normal, porque a Baixa de Kassanje sempre foi tida como um território que muitos nem sequer imaginavam que existia.

Houve, talvez, quem pensasse que fosse uma invenção, um campo em que, apesar das agruras que alguns contam, estivesse longe da realidade. Mas, quem por lá andou conhece um pouco do que se passou na Baixa e o que os populares ainda hoje se perguntam, terá uma noção dos acontecimentos e o que aquilo representou sobre os cidadãos que ainda habitam a localidade. O que se vive hoje em Teka Dya Kinda será, talvez, a solução para este imbróglio.

Não é um local aprazível nem o monumento lá existente representa a dimensão do acontecimento. Quando escutamos, quase todos os anos, os descendentes do rei Kambamba Kulaxingu queixarem-se sobre o que representa a data e aquilo que tem sido feito, talvez percebamos o quanto esta data signifi ca e o desgaste. Longe da discussão sobre os progenitores, subsiste ainda a simbologia e a discussão em torno do feriado nacional e o dia de refl exão.

Acirra a questão do pai e o fi lho, ou seja, entre o 4 de Fevereiro, que surgiu após o 4 de Janeiro, e qual deles mereceria uma data de maior celebração. Não há dúvidas de que há sempre um princípio. Por isso, ainda persistem algumas reivindicações em torno do que se passou no Quela, em 1961, num dia 4 de Janeiro.

Quando se observam os monumentos de 4 de Fevereiro, no Cazenga, e outro alusivo à batalha de Kifangongo, em Cacuaco, nos perguntamos sobre a data que hoje se assinala e o que existe em Teka Dya Kinda. Será que as efemérides terão o mesmo signifi cado ou uns estarão a ser preteridos? O facto de um ser feriado e outro não, diz alguma coisa? Estivemos, em tempos, em Teka Dya Kinda, no Quela, em Malanje, ao lado do velho Fonte Boa.

A visita aconteceu no centro daquilo que se tornou o furacão de 4 de Janeiro em 1961, num dia como hoje. A repressão na Baixa de Kassanje vai suscitar sempre a questão da equivalência. Infelizmente, não se trata de uma questão tão pacífi – ca quanto pareça. Mesmo que se pretenda, ainda persistem os que olham para o que aconteceu há alguns anos como a génese do que nos levou à liberdade.

O facto de ter acontecido antes de muitas outras efemérides exige uma discussão mais acirrada sobre o assunto.