Depois de criticar regime chinês, Jack Ma, fundador da Alibaba, não é visto há mais de dois meses

Depois de criticar regime chinês, Jack Ma, fundador da Alibaba, não é visto há mais de dois meses

O magnata Jack Ma, o homem mais rico da China, entrou, recentemente, em rota de colisão com o governo de Xi Jinping e há mais de dois meses que ninguém o vê. O empresário chinês Jack Ma, fundador e ex-presidente da Alibaba, não é visto em público desde o final de Outubro de 2020, o que está a levantar suspeitas sobre o papel do governo chinês no desaparecimento do magnata, que recentemente criticou o regime de Xi Jinping em público, segundo a imprensa.

De acordo com a Forbes, Jack Ma tem uma fortuna de 59,5 mil milhões de dólares, o que significa que é o homem mais rico da China e o 17.º mais rico do mundo. Porém, o magnata, um dos ícones da economia chinesa, entrou recentemente em rota de colisão com o governo do regime de Xi Jinping. Numa conferência que decorreu em Shangai em Outubro de 2020, Ma queixou-se do sistema bancário dominado pelo Estado e disse que não faz sentido “usar a forma de gerir uma estação de comboios para gerir um aeroporto“, uma comparação com a qual pretendeu sublinhar que “não podemos regular o futuro com os meios de ontem”.

O discurso foi entendido como muito crítico do regime chinês e, pouco tempo depois, chegou a retaliação: as autoridades de regulação financeira da China impediram uma significativa operação em bolsa do grupo Ant, uma das empresas que fazem parte do império criado por Jack Ma. A intervenção governamental fez cair as acções da Alibaba em 8% e levou Jack Ma a perder 3 mil milhões de dólares da sua fortuna. O empresário, que em 2019 se reformou com 55 anos, não voltou a aparecer em público desde essa controvérsia. Segundo o The Guardian, a última aparição de Jack Ma foi no dia 31 de Outubro, durante uma inauguração virtual, em que surgiu à distância. No mês de Novembro, o empresário devia ter aparecido num programa televisivo como membro do júri, mas já não surgiu no ecrã — e a Alibaba argumentou com um conflito de agenda.

Na sequência do discurso de Jack Ma, o governo chinês lançou uma ofensiva ao grupo empresarial que, além do bloqueio da operação em bolsa, incluiu um conjunto de investigações relativamente a questões concorrenciais e a obrigação de repartição do grupo, bem como uma operação de ataque ao empresário na opinião pública, com uma retórica desfavorável a Jack Ma a ganhar espaço nas redes sociais chinesas. A nível global, o desaparecimento de Jack Ma tem levantado suspeitas, embora alguns especialistas sublinhem que seria expectável que o empresário optasse por uma vida mais discreta nestes meses em que as suas empresas estão sob o apertado escrutínio do governo chinês, apostado, como escreveu recentemente o The Wall Street Journal, em encolher o império de Jack Ma.