É de hoje…Garimpo de água

Foi por causa de uma afirmação no debate Zimbo, há algumas semanas, que David Mendes acendeu o rastilho que movimentou o presidente do Conselho de Administração da Empresa Pública de Luanda (EPAL), para que numa jogada de mestre saísse em defesa da instituição.

Em causa esteve uma acusação sobre a titularidade de centenas de camiões cisternas que circulam e comercializam água na capital. Claro que não se pode acreditar que todas elas pertençam aos funcionários da empresa.

Mas, há questões dentro das negociatas da água, na capital, que levantam dúvidas sobre uma possível conivência ou não dos técnicos do sector, entre os quais possíveis responsáveis de primeira linha, de áreas intermédias ou até mesmo de base. O garimpo de água é um deles. Começa a ser intrigante que não se consegue, no mínimo, atenuar esta praga que tem deixado milhares de famílias sem o produto. Não se precisa ser um expert em inteligência ou passar pelos mais altos graus em investigação criminal para se perceber que é mais difícil mergulhar nos meandros do tráfico de droga, de seres humanos e até nos crimes de colarinho branco do que encontrar as casas e condutas que, diariamente, na província de Luanda, efectuam a venda de água em cisternas.

O número de camiões, no habitual entra e sai em determinadas zonas da capital, como Kikuxi, Samba, Talatona e noutros pontos, há muito que denunciavam a existência de práticas ilegais, que, curiosamente, apesar da intervenção estatal não se conseguiu travar ao que parece.

A apetência pelo lucro fácil de alguns acaba por prejudicar gravemente a necessidade de outros cidadãos. Não se pode aceitar, por exemplo, como se noticiou ontem, nos órgãos de comunicação social, que o Hospital do Kapalanga, em Viana, esteja há mais de seis meses sem água por culpa do garimpo.

Pelas informações avançadas pelo responsável da instituição, são graves as consequências originadas pela situação, demonstrando estar a causa há muito identificada, mas aguarda-se que as autoridades tomem as devidas medidas. Não se pode perceber, até hoje, que para determinadas instituições encontrarem as residências, quintais, fazendas ou outros recintos que vendem o produto para monstruosos camiões cisternas, seja mais difícil do que encontrar uma agulha num palheiro.