A culpa é não é só de trump

A culpa é não é só de trump

Hoje peço ajuda ao editorial do The New York Times. Quando há coisas que não se podem dizer melhor, é legitimo traduzir e adaptar. O conselho de editores do jornal nova iorquino diz que quando um presidente incita os seus seguidores à violência tem de haver consequências. O mundo vai mudar por causa dos acontecimentos de ontem do Capitólio, mas infelizmente são poucas as hipóteses de mudar para melhor.

O Presidente Trump e os seus apoiantes republicanos no Congresso incitaram ontem a um ataque violento contra o governo que lideram e a nação que dizem amar. Isto não pode acontecer. A retórica sediciosa de Trump levou uma multidão de milhares de pessoas a invadir o edifício do Capitólio dos EUA, algumas entrando nos andares da Câmara e do Senado, onde os representantes eleitos da nação se tinham reunido para cumprir o seu dever constitucional de contar os votos eleitorais e confirmar a eleição de Joe Biden como presidente.

É inacreditável que alguns levassem a bandeira da Confederação quando atacaram a sede do governo e tenham forçado a suspensão do debate. Partiram janelas e portas, chocaram com as forças de segurança e gritaram apoio a Trump repetindo o mesmo desafio ilegítimo aos resultados das eleições de 2020. Uma mulher foi morta. Os líderes da nação foram obrigados a procurar abrigo. Foram encontrados explosivos no Capitólio e em múltiplos locais em torno de Washington. Foi Trump quem provocou estas agressões.

Ele violou durante meses o veredicto proferido pelos eleitores em Novembro passado. Convocou os seus apoiantes para se reunirem em Washington, e encorajou-os a marchar sobre o Capitólio. Disse-lhes que a eleição estava a ser roubada. Disselhes que lutassem.

Quando finalmente falou, no final do dia, somou raiva aos manifestantes, dizendo-lhes novamente que a eleição tinha sido roubada, mas pedindo-lhes que fossem para casa de qualquer maneira. Como um homem que não quis cumprir os seus deveres como presidente nem enfrentar as consequências do seu próprio comportamento. Mas este não é apenas um ataque aos resultados das eleições de 2020. É um precedente como uma autorização prévia a que algo de semelhante aconteça em futuras eleições. Deve ser fortemente rejeitada e condenada.

O perigo é real, mas ainda não há solução. Os republicanos têm o poder — e a responsabilidade — de traçar um rumo diferente, acabando de imediato com os ataques retóricos à democracia americana e defendendo imediatamente a nação a que juraram servir. 6 de Janeiro de 2021, é um dia negro, mas a verdadeira questão é saber se quando termina o mandato de Trump a América e o mundo estão no princípio do abismo ou no início do inferno.