Carta do leitor: A triste cena da fome

Carta do leitor: A triste cena da fome

Ler reportagem que fala de senhoras varrendo rodovia em busca de trigo que cai de camiões que transportam a produção em outras regiões é muito triste. Saber que uma das regiões mais antigas de Angola, Benguela e Catumbela, ainda vivem os auspícios da fome é horrível e descabido. O pior deste cenário é verificar que o governo local que deveria criar políticas públicas para combater a fome e a desnutrição alega não ter estudos ou projectos para eliminar o fantasma da fome em adultos e, principalmente dos mais velhos e das crianças é de lastimar.

Como podemos vislumbrar uma nação independente, onde todos devem ter os mesmos direitos e serem iguais uns aos outros, diminuindo a distância entre ricos e pobres em situações como estas? Onde a justiça dos governantes em cuidar do s menos favorecidos? O que fazem, ou melhor, o que deixam de fazer? Qual mistério em criar programas para fortalecer a agricultura familiar; propiciando aos pequenos plantarem e cultivarem seus próprios alimentos com hortaliças, frutas e verduras? Não é difícil, basta querer. Ensinar a plantar, a semente e cuidar dela é melhor do que gastar rios de dinheiro em propostas ufanistas e longe da população.

As mulheres de Benguela e Catumbela merecem respeito, as crianças, os idosos e anciãos também. Não podemos conceber governantes alimentando-se e desperdiçando comida farta e abundante em seu prato, enquanto milhares sucumbem de fome e inanição. Precisamos pensar além de como produzir mais e reduzir danos, precisamos investir num sistema alimentar que restaure a natureza em vez de esgotá-la.

Podemos adotar metas para combater a fome em Angola: Não desperdice comida. Produza mais, com menos. Ajuda a pequenos agricultores para que produzam mais com menos. Fornecimento de alimentos em crises humanitárias. Combate à desnutrição e, principalmente, devemos ter foco em sistemas económicos locais. Fazendo isto, estenderemos as mãos aos nossos irmãos que possuem quase nada e morrem a cada dia, se não de fome, mas de desespero de não ter o que colocar no prato do filho.

POR: Gregório José
Jornalista,Radialista e Filósofo