É de hoje…Cazenga, sempre!

É de hoje…Cazenga, sempre!

Hoje é o dia do Cazenga, um dos mais populosos municípios de Luanda, histórico e que reúne o monumentos que marca um dos mais marcantes momentos do país: o 4 de Fevereiro, o início da Luta Armada.

Cazenga é um misto de sensações. Da saudade e da tristeza. Do amor e ódio. Da frustração e do desespero que, durante anos, viu desaparecer locais especiais e alguns que muito contribuiriam para o seu desenvolvimento, independentemente da situação crítica que o país atravessa.

Quem por lá nasceu, viveu ou conviveu guardará, no seu interior, aspectos indeléveis que nem mesmo a distância hoje consegue apagar. O seu parque industrial, as suas ruas asfaltadas, os grupos carnavalescos, os populares e outras obras que se mantêm perenes na memória dos seus filhos.

Ouvimos ontem que diversas entidades, que se destacaram no município, acreditamos que em vários domínios, serão hoje homenageados pela Administração local, agora sob batuta do jovem Tomas Bica.

Reconhecer os feitos de alguns destes notáveis é uma atitude nobre. O simbolismo é maior até por ocorrer num dia em que o município comemora mais um ano de existência.

Ao longo dos 45 anos de independência do país, o município viu nascer, acolheu e deu ao país inúmeras figuras, desde a política à sociedade, da música ao empresariado, do desporto à cultura.

Do topo à base, são várias as personalidades que viram a enterrar o cordão umbilical no Hoji Ya Henda, Curtume, Mabor, Nguanha, Tala Hady, Sete e Meio, Cuca e arredores. Erradamente, muitos associam o nome do município à criminalidade e outros males, quando, na verdade, alguns dos maiores cérebros e revolucionários vieram ao mundo nos seus becos e casebres.

Quando se olha para o desenvolvimento que alguns municípios ou distritos do país conhecem, a mente de muitos dos filhos do Cazenga é invadida por um misto de incertezas sobre o que têm feito alguns dos seus filhos para a sua melhoria e das condições de vida dos moradores e não só.

Contrariamente às várias ANAS(Associação dos Naturais e Amigos) de muitos municípios deste país, que se batem pelo desenvolvimento e a implementação de algumas acções cívicas, culturais e até políticas, poucos são os movimentos que fizeram com que o Cazenga pudesse mitigar as fronteiras da miséria e do insucesso em alguns domínios.

Felizmente, muito por força das várias crises e dos problemas que se agudizaram, surge uma sociedade civil, formada sobretudo por jovens, que vai imprimindo uma nova dinâmica, alguns dos quais, se calhar, nem verão a distinção que merecem.

São estes, sim, aliados à veterania ainda presente, que poderão fazer com que o novo administrador tenha sucesso nos seus projectos. São a maioria e os principais impulsionadores de uma nova forma de ver e de sentir o município.