É de hoje…Muito obrigado

É de hoje…Muito obrigado

A última semana informativa ficou marcada pelo anúncio da contratação dos auxiliares de limpeza que o Executivo decidiu levar a cabo a partir de hoje.

As cifras apontam para mais de 7 mil postos em todo o país, depois de largos anos em que as escolas ficaram sem estes profissionais, indispensáveis para a sua manutenção. Ainda novos, quando frequentávamos o ensino de base, sobretudo, víamos nos empregados de limpeza indivíduos com uma figura pública quase paternal. Muitos deles conheciam – se calhar, hoje, ainda o fazem – de cor e salteado o nome dos alunos, sendo, por isso, parte integrante do processo de formação de muitos estudantes e quadros já formados neste país.

O concurso que hoje arranca acontece num momento particular por causa da Covid-19. Numa fase crítica como esta, o que muitos se perguntam ainda é como se têm desdobrado os alunos das diversas escolas públicas para que não estejam sujeitos à contaminação e constarem das estatísticas que todos os dias nos são apresentadas pelo já célebre Dr. Franco Mufinda, no habitual relatório sobre a situação da doença no Centro de Imprensa Aníbal de Melo.

Mais do que esperar que o Executivo faça tudo por nós, como já havia previsto John F. Kennedy, devemos pensar também no que temos feito para transformar este país num sítio melhor para se viver ou fazer negócio.

Quando muitas escolas nem sequer sonhavam com a contratação de auxiliares de limpeza, houve no Cazenga um grupo de pais que não quis que os seus filhos ficassem a mercê da sorte. Foram eles os guardiões, depois de terem constatado que não havia dinheiro na Administração e muito menos na Direcção Municipal de Educação.

Durante alguns meses, eles próprios cuidaram da escola dos seus meninos e meninas, criando condições de higienização e outras para que pudessem estudar sem sobressaltos, não obstante as dificuldades económicas e financeiras de que o Executivo ainda padece.

Os novos auxiliares, cujas contratações serão feitas a partir das administrações municipais, virão para dar corpo às acções que alguns destes encarregados com zelo o fizeram, sem qualquer remuneração, mas apenas porque acreditam piamente que a educação é o melhor caminho para o desenvolvimento.

Antes que entrem em cena os novos funcionários, alguns deles se calhar se encontravam desempregados, aqui vai o nosso reconhecimento a estes heróis anónimos, que não mediram esforços para fazerem das nossas instituições de ensino lugares melhores nesta fase.

Não haverá, certamente, palavras de conforto para tudo quanto tenham feito. Mais do que lamentar, como tem sido praxe, houve quem tivesse procurado ajudar para que os seus filhos e dos demais pudessem ter aulas sem que a Covid- 19 se constituísse um perigo. A estes encarregados de educação aqui vai o muito obrigado. O país faz-se com o contributo de todos.