É de hoje… Rigor

É de hoje… Rigor

Um belo dia, há alguns anos, recebi a visita de um amigo empresário que enfrentava um problema num dos projectos em que se envolvera. Mais do que as lamentações em torno do que passava, porque as acções de uma diamantífera em que investira acabaram por cair de mão beijada num outro grupo de empresários, no tempo da outra senhora, o companheiro limitou-se apenas em dizer: ‘temos sérios problemas com o rigor’.

A falta de rigor é um problema transversal. Estudantes, professores, jogadores e profissionais de outros ramos, aos angolanos parece ser cultural a necessidade de obter uma nova chance, a extensão do tempo quando se propõem a resolver um determinado problema ou ainda os célebres minutos de atraso porque se acredita sempre que o convidado ou aquele que nos convida estará sempre predeterminado em nos conceder mais meia-hora ou alguns minutinhos de graça.

É assim na vida familiar. E tem sido assim também nos negócios e noutras acções em que diariamente nos envolvemos. A noção de tempo, de responsabilidade e o comprometimento para aqueles que servimos se vai esfumando. Para as obras, haverá sempre uma segunda fase para colmatar não só o défice inicial, mas também abranger mais gentes, havendo hoje projectos que da primeira fase não passaram e a continuidade só os vindouros se encarregarão. No desporto, há a célebre frase segundo a qual ‘enquanto o apito do árbitro não soar, ainda há esperança’.

Em muitos projectos e actividades em que nos envolvemos parece não haver a inclinação para se quebrar e resolver o assunto à partida, embora se diga, de antemão, que a pressa não seja boa conselheira. Há assuntos sérios que, se não forem resolvidos com rapidez, denotam não só falta de seriedade de quem posterga, assim como daquele que se disponibiliza regularmente em oferecer a esperada segunda chance.

É só olharmos para os gestores públicos que quase não vêem as contas das empresas que lideram aprovadas sem reservas. Tornou-se quase que um ritual devolver para que estes melhorem, sendo escassos os que o fazem a tempo e hora. Esta semana, fomos informados de que alguns gestores estão a encontrar dificuldades para justificar os valores que foram atribuídos para o projecto de combate à pobreza.

Alguns, seguramente, aguardam pela dilatação do tempo para o efeito, quando sempre tiveram à mão os valores e até entidades que lhes permitiriam mostrar os caminhos pelos quais dizem ter ajudado centenas ou milhares de pessoas.