Relatório da FoA considera partidos na oposição pouco proativos na luta pelo poder

Relatório da FoA considera partidos na oposição pouco proativos na luta pelo poder

Um relatório da Friend Of Angola (FoA), sobre o ano político 2020, classifica a oposição angolana como tendo um desempenho pouco proactivo no que à luta pelo poder diz respeito.

O coordenador da Friend Of Angola, Rafael Moraes, disse, em entrevista a OPAIS, que há uma certa letargia no exercício político da oposição, situação que não contribui para a luta pela igualdade com o partido governante, MPLA.

Conforme explicou, os partidos da oposição têm desempenhado o seu papel naquilo que lhes é possível devido às varias limitações que têm. Mas, frisou, se o objectivo é o poder, “a oposição tem muito por fazer e, neste sentido, tem sido fraca”.

“Os partidos na oposição não têm feito trabalhos que visam fazer frente o MPLA. Pensamos que o partido governante tem falhado e a oposição devia aproveitar essas falhas para atingir o seu objectivo e mostrar ao povo que é diferente, ou seja, fazer o contrario daquilo que tem sido as falhas da governação”, indicou.

De acordo ainda com Rafael Moraes, a oposição tem perdido muito tempo a falar das autarquias quando há outros assuntos importantes e o pacote legislativo autárquico ainda não está concluído.

“Uma vez que o pacote legislativo está de forma morosa a sua conclusão, a oposição devia criar uma estrategia que visa pressionar a Assembleia Nacional para a conclusão do pacote legislativo autárquico”, defendeu.

Relativamente à avaliação do ano político 2020, Rafael Moraes afirmou ter sido muito conturbado em vários níveis, a começar pelo surgimento da pandemia da Covid-19, que inviabilizou o desenvolvimento de várias políticas públicas.

“O surgimento da pandemia veio, na verdade, dar uma outra forma de se dar mais atenção dentro do país do ponto de vista de desenvolvimento nos vários sectores da vida política, económica e social.

Também veio medir a capacidade de que o Governo tem de lidar com questões de calamidade de grande proporção, uma vez que estamos apenas habituados a outras mais leves”, explicou.

O activista cívico fez saber ainda que a não realização das primeiras eleições autárquicas manchou o cenário político de 2020. Tal como explicou, havia, no seio da sociedade civil e partidos políticos, uma expectativa muito forte de ver o país realizar as suas primeiras eleições autárquicas, situação que não veio a ocorrer.

O relatório da Friend Of Angola, no que diz respeito à vida social dos angolanos, a organização refere que, em 2020, aumentou a miséria no seio da população devido à subida galopante dos preços da cesta básica e os altos níveis de desemprego derivados do encerramento de várias empresas.

“As manifestações foram também, de certa forma, uma maneira de contestar as falhas das políticas públicas do actual Governo. As detenções, assassinatos e raptos durante as manifestações foram um grande cartão vermelho e influenciaram na baixa popularidade do Presidente João Lourenço, infelizmente”, notou