BNA abre Centro de Custódia de Valores no Cunene

BNA abre Centro de Custódia de Valores no Cunene

A Delegação Regional Sul do Banco Nacional de Angola (BNA) inaugurou, esta Quarta-feira, 13, na localidade de Santa Clara, província do Cunene, um Centro de Custódia de Valores

Santa Clara, a última localidade do Cunene na nossa fronteira Sul com a vizinha Namíbia, é desde já uma das mais “comerciais” do país no comércio, tendo-se constituído à época airosa da nossa economia uma das paragens obrigatórias, de comerciantes e turistas nacionais, em busca de provimentos diversos e em viagens de turismo e lazer.

O serviço agora anunciado pelo Banco Central Angolano, que “não será um mero exercício de lotaria”, segundo um analista da economia nacional, vai ser operado pela representação local do Banco de Poupança e Crédito e incide sobre o tratamento e saneamento do dinheiro.

A referida infra-estrutura possui uma recepção, duas salas de recontagem de valores, economato, sala forte, entre outros compartimentos. O centro tem a função de deter e administrar a custódia de notas e moedas à ordem do BNA, receber notas em depósito e entregar notas em levantamento aos bancos comerciais que operam no Cunene.

Visa igualmente providenciar a arrumação, classificação e a guarda de numerário, efectuar o saneamento, recontagem e selecção do numerário depositado.

Falando no acto, o vice-governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Manuel Tiago Dias, disse que com a implementação deste serviço no Cunene os bancos comerciais locais serão atendidos com maior celeridade nos depósitos e levantamentos da massa monetária.

Afirmou que haverá também maior eficiência por parte dos bancos no atendimento dos seus clientes, principalmente na disposição de valores. É uma valência que, segundo o responsável, permitirá ainda a redução de custo por parte dos bancos comerciais, uma vez que o BNA estará encarregue do transporte dos valores para o Centro de Custódia.

Por seu turno, o vice-governador para o sector político, social e económico no Cunene, Apolo Ndinoulenga, disse que a abertura deste equipamento vai aliviar o ramo bancário na região, colocando, igualmente, à disposição dos munícipes notas e moedas metálicas com maior qualidade.

Em meados de 2015, o kwanza e o dólar namibiano passaram a ser trocados nas localidades fronteiriças de Santa Clara (Angola) e Oshikango (Namíbia), à luz de um acordo monetário entre o Banco Nacional de Angola e o Banco da Namíbia, que visava “facilitar o câmbio directo nas moedas dos dois países”.

Assinado em Setembro de 2014, o acordo permitia a conversão entre o kwanza e o dólar namibiano nas cidades fronteiriças, mas rapidamente entrou em derrapagem com as partes a admitirem “imperfeições”. Todavia, entendidos apontavam a “romaria” de angolanos em busca dos benefícios decorrentes da obtenção da moeda do Estado vizinho, constituído à época um grande centro de provimento logístico, como a principal razão.

Na altura, o acordo autorizava a que cidadãos angolanos pudessem comprar a moeda namibiana em qualquer banco ou casa de câmbio na região desde que viajassem para a Namíbia por via terrestre. Os cidadãos maiores de 18 anos poderiam trocar até 500 mil Kwanzas e os de menor idade 150 mil.

Os Bancos Centrais de Angola e da Namíbia tinham ficado encarregues de “divulgar diariamente a taxa de câmbio das moedas dos dois países”, para que ambas pudessem ser transaccionadas nos dois lados da fronteira.

Cinco meses depois da vigência do acordo, a Namíbia deixou de aceitar o Kwanza angolano como moeda de troca na sua região Norte, alegando em comunicado que na aplicação do acordo foram observados “desafios” como a “troca de moeda fora do âmbito do acordo”, nomeadamente em termos de quantias.

Apesar das “medidas”, entretanto introduzidas, esses desafios “não foram resolvidos completamente”, tendo as duas instituições anunciado que um “novo mecanismo” para a conversão de moeda seria equacionado entre os vizinhos.

Do lado angolano, também houve a admissão do “descontrolo” dos padrões em que devia vigorar o acordo bilateral, o que significou resignação diante da suspensão. Noticiou-se que mil milhões de Kwanzas estavam na altura dispersos por casas de câmbio e bancos da Namíbia devido ao descontrolo do acordo monetário bilateral, tendo resultado em elevada dívida em cambiais que Angola teve de assumir diante do seu vizinho.

De lá para cá, não mais se falou no reatamento do acordo, mas sabe-se que a nível informal as moedas dos dois países continuam a ter curso corrente nos dois lados da fronteira.

Apesar do refreamento do ímpeto comercial entre Angola e Namíbia, ainda é significativo o volume de transações entre os dois países com o pêndulo da balança a tender mais para os angolanos que compram no país vizinho que o inverso.

A entrada em vigor de zonas livres, tanto a nível da região da SADC e a do continente africano, são naturalmente desafios que claramente permitirão o incremento das trocas comerciais na região.

Com ANGOP