É de hoje…Os números do PIIM

É de hoje…Os números do PIIM

Quando terminou a guerra em Angola, depois dos acontecimentos de Fevereiro de 2002, a reabilitação foi a primeira batalha lançada e levada a cabo pelo Presidente José Eduardo dos Santos. De tal modo que se criou um Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN).

O objectivo não foi só controlar o que estava a ser feito, mas também fazer com que o processo não descambasse a julgar pelos vários interesses em jogo, como se pode hoje confirmar através de muitos processos judiciais em curso.

Com o financiamento da China garantido, cada um achava por bem merecer a sua parte, menosprezando a qualidade das obras que se pensava que fossem dar ao país a dimensão de um verdadeiro ‘canteiro de obras’ para a construção da propalada ‘Nova Angola’.

Foi assim que nasceram estradas, para facilitar a circulação de pessoas e bens, escolas, postos de saúde, hospitais, centralidades e outros imóveis. Algumas obras distantes daquilo que eram as verdadeiras necessidades dos angolanos.

O tempo veio, posteriormente, mostrar que muito daquilo que pensávamos bem feito era uma operação de cosmética, o que obrigou com que o Executivo fizesse novos investimentos para não se perder a essência do que se fez no passado e, principalmente, restituir dignidade aos municípios.

Mais do que um processo de torrefação de dinheiro, como se apregoa, o Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM ) vem tentar colmatar aquilo que de básico não se fez ao longo destes anos de paz, embora tivesse resultado numa dívida colossal que todos deveremos pagar sobretudo aos chineses.

E o anúncio de ontem de que o PIIM já terá custado 200 milhões de dólares deixou meio mundo boquiaberto. Não que seja um valor insignificante, ainda mais num país em que os milhões sempre ocuparam as parangonas da imprensa. Mas, na realidade, trata-se de 10 por cento do valor global de dois mil milhões de dólares norte- americanos provenientes do Fundo Soberano de Angola.

Se divididos igualmente por todo o país, cada uma das províncias teria direito a pouco mais de 11 milhões de dólares norte-americanos. Caso se distribuísse na mesma proporção para todos os municípios, cada um deles, independentemente da população e das necessidades, teria encaixado 1.219.000 dólares.

Mas, as coisas não acontecem deste modo. Existem municípios ou províncias com maiores necessidades e cujas especificidades acabam por encarecer ainda mais as obras. Só por isso, embora não se olhe para os resultados do PIIM como os esperados, os montantes gastos até ao momento estarão aquém daquilo que se poderá fazer para que as infraestruturas em construção ajudem a mudar a vida das pessoas.

O importante neste momento é vigilância, vigilância e vigilância. O sucesso do PIIM estará na fiscalização das obras e não nas constantes desconfianças que se levantam.