Economista diz que pandemia arrasou mais os sectores do turismo e comércio em Benguela

Economista diz que pandemia arrasou mais os sectores do turismo e comércio em Benguela

O economista Janísio Salomão disse, em entrevista a OPAÍS, que os sectores do comércio, turismo e agricultura foram os que mais ressentiram os efeitos negativos da pandemia da Covid-19 no ano passado, afectando essencialmente famílias, que se ressentem da fome

De acordo com o também professor universitário, as empresas dos sectores da construção civil, turismo e comércio, em Benguela, foram tão afectadas que registaram perdas significativas de postos de trabalho.

Janísio Salomão cita como exemplo a taxa de ocupação de unidades hoteleiras, na província, que passou de mais de 60 por cento para menos de 10, facto que se reflectiu negativamente na vida de muitas famílias, por um lado, e na pouca contribuição de Benguela para o Orçamento Geral do Estado (OGE), por outro.

“Estamos a falar que, em termos do nível de arrecadação de receitas, pouca contribuição acabou por entregar. Se pouco se arrecada, depois o retorno acaba também por não ser satisfatório”, considera.

Apesar deste quadro, o economista destaca, porém, o facto de Benguela ainda figurar no gráfico das cinco províncias que mais contribuição fazem para o OGE.

Em relação à agricultura, o economista assevera que está, igualmente, a enfrentar inúmeras dificuldades, com particular destaque para a questão dos fertilizantes cujos preços têm vindo a subir vertiginosamente no mercado.

“Temos boa iniciativa, mas esta acaba por esbarrar nas intenções, porquanto existem dificuldades de adquirir os inputs agrícolas” referiu. Segundo o economista, um outro problema, neste particular, tem que ver com a importação destes bens indispensáveis para o fomento à produção. Janísio Salomão realça que, em Benguela, apenas duas empresas estão licenciadas para a importação de fertilizantes e estas acabam por concentrar o monopólio, encarecendo, deste modo, os preços de aquisição do produto.

“A jusante você terá problemas no preço final. E isso é um paradoxo de que muito se tem estado a reclamar. Como é que a produção nacional apresenta custos mais elevados comparativamente aos produtos importados”, questiona-se, ressaltando que os esforços do Governo não são satisfatórios para minimizar a carência gritante relativamente aos inputs agrícolas.

“Há concorrência quase desleal. Quando você tem importador de fertilizantes que também é produtor, claro que acaba por favorecer a sua produção”, refere.

Por outro lado, menciona o sector do comércio, por andar a reboque de agricultores e importação. Associado a isto, está o facto de muitos destes terem tido, fundamentalmente em 2020, problemas de obtenção de cambiais, causando grandes constrangimentos.

“O próprio Banco Nacional de Angola (BNA) estabeleceu prazos aos bancos comerciais, para poder dar vazão à demanda relativamente aos cambiais. Note que, na prática, isto não acontece”, sustentando, contudo, que as empresas emitem carta a manifestar a transferência de cambiais, mas se regista muita demora na resposta.

“Isto faz com que muitas vezes não haja a reposição de stocks, propiciando especulação de preços”, considera. De acordo com o economista, do ponto de vista geral, dado os factores referenciados, a conclusão a que se chega é a de que o balanço do exercício de 2020 é, deveras, negativo, a julgar por um quadro que se tem agravado ainda mais com a pandemia da Covid-19.

POR: Constantino Eduardo, em Benguela