Luanda terá plano de melhoria da mobilidade urbana em duas semanas

Luanda terá plano de melhoria da mobilidade urbana em duas semanas

O Ministério dos Transportes e o Governo Provincial de Luanda (GPL) reuniram ontem para traçar o plano de medidas que deverá melhorar a mobilidade urbana na capital do país a curto espaço de tempo. Para efeito, foi constituído um grupo técnico que engloba o Ministério das Obras Públicas e Ordenamento do Território, do Interior e das Finanças

O grupo técnico vai consolidar o trabalho de base para a definição de medidas concretas que podem minimizar ou alterar o quadro da mobilidade que se vive em Luanda, tendo em conta que a cidade regista problemas de circulação, falta de transportes públicos rodoviários e constrangimentos relacionados com as infra-estruturas, afirmou, à imprensa, o secretário de Estado para os Transportes Terrestres, Jorge Bengue Calumbo.

O responsável esclareceu que as enchentes que se registam em paragens e a circulação deficiente têm sido provocadas pelas pedonais, por buracos na via, a fiscalização rodoviária e ferroviária e os problemas ligados à mobilidade rodoviária reflectem a situação actual.

Contou que o grupo ora criado vai consolidar em documentação as medidas adequadas e realistas, no sentido de dar respostas às necessidades dos cidadãos, tendo em conta a capacidade real de realizar as acções, sobretudo do ponto de  vista financeiro. Por isso, considera que as administrações devem identificar as prioridades nesta fase, de modo que sejam executadas.

Outra situação abordada no encontro, que decorreu à porta fechada, é a problemática dos transportes urbanos. Jorge Bengue explicou que há operadoras que não têm capacidade para exercer o serviço, quer técnica ou operacional, pelo que não faz sentido continuarem no sistema de transporte urbano de passageiros.

Disse ainda que a equipa recém-criada pretende fazer uma estruturação profunda na concessão de contratos com as empresas e prestadoras de serviço urbano de transportes a nível da província de Luanda. À margem dos trabalhos realizados, anunciou que nos próximos tempos se prevê lançar um concurso público para operadoras interessadas na concorrência.

Entretanto, garantiu que a equipa pretende trabalhar com todas as pessoas que são afectadas pelo problema, por considerar que podem apresentar possíveis soluções. Segundo Jorge Bengue, as verbas para a implementação do mesmo vão sair da conta do Ministério dos Transportes, destinadas a realizar vários projectos, com incidência para Luanda, do orçamento das Obras Públicas e do Interior. Explicou que com a coordenação destes ministérios se pretende evitar a dispersão dos recursos e definir prioridade na execução do orçamento de 2021.

Garantiu que a união dos ministérios é para resolver o problema de mobilidade em Luanda, de modo a evitar que as instituições implementam acções de forma integrada.

Administrações devem reportar as prioridades

O secretário de Estado disse que, para atenderem as zonas que não têm transportes públicos, as administrações municipais deverão reportar a situação e definir as prioridades para as suas localidades e satisfazer a população.

Questionado sobre o número de autocarros que Luanda precisa, tendo em conta que a cidade tem cerca de oito milhões de habitantes, o governante disse que o recomendável seria o sistema de transporte de massa. Nesta senda, considera que a nível da província há limitações no que toca os investimentos para alta capacidade.

Seguindo os padrões internacionais, seria um autocarro para mil habitantes. Explicou que neste caso seriam necessários oito mil, mas a solução não passa apenas pelo aumento da frota de autocarros, mas das infraestruturas, regulamentação, fiscalização, entre outros aspectos.

Quanto aos catamarãs, Jorge Bengue disse que está em curso um novo processo de restruturação, tendo em conta que o anterior processo registava mais custos do que benefícios e, no momento actual, não há condições para suprir as despesas.