Mãos Livres e OPSA defendem que a PGR divulgue informação do repatriamento de capitais

Mãos Livres e OPSA defendem que a PGR divulgue informação do repatriamento de capitais

A Associação Mãos Livres(AML) e o Observatório Político e Social de Angola(OPSA) consideram que a PGR deve informar aos cidadãos, de modo detalhado, sobre os valores, móveis e imóveis recuperados no processo de repatriamento de capitais em curso

Os dois activistas cívicos reagiam ao discurso do presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, feita na Sexta-feira,15, na abertura do Ano Político do partido que dirige, que instou a Procuradoria- Geral da República (PGR) a revelar os bens já recuperados no processo de repatriamento de capitais.

O presidente da Associação Mãos Livres, Salvador Freire, defende que a Procuradoria-Geral da República (PGR) deve informar aos angolanos sobre o que já foi feito ao longo deste tempo que se decretou o combate à corrupção.

Disse ser necessário que os cidadãos tenham uma informação detalhada sobre os valores repatriados, a recuperação de móveis, imóveis, entre outros bens, para moralizar a sociedade.

Argumentou que, desde que iniciou o processo de repatriamento, pouca ou quase nenhuma informação da PGR está disponível ao público, havendo questionamentos, em surdina, dos cidadãos sobre o paradeiro do dinheiro.

Justificou que uma vez dada a informação, a PGR terá mais credibilidade no trabalho que vem desenvolvendo com outros órgãos correspondentes, tais como o Serviço de Investigação Criminal (SIC) e a Inspecção Geral de Administração de Estado (IGAE).

De acordo com Salvador Freire, para que haja mais credibilidade neste processo, é preciso que os cidadãos tenham conhecimento de tudo quanto já foi recuperado, para se evitar especulações desnecessárias. Segundo ainda a fonte, é dever da PGR prestar qualquer informação a respeito, por se tratar de um assunto de interesse público, em que todos estão engajados.

“O combate à corrupção não é só um programa do Governo ou do MPLA, mas é de todos angolanos. Até agora não sabemos quanto já foi recuperado, quanto falta recuperar, o que está a ser feito e o que se deve fazer para o futuro”, disse.

Dever moral

Para o coordenador do Observatório Político Social de Angola (OPSA), Sérgio Calundungo, deveria ser um dever moral da PGR informar aos cidadãos pelo facto de o dinheiro que saiu dos cofres públicos ser do Estado, sendo que parte do mesmo resulta da contribuição de todos os angolanos.

“Como os lesados são todos os cidadãos, creio que deveria haver um dever moral e uma preocupação de esclarecer a todos quanto do nosso dinheiro foi recuperado. Não estamos a falar em dinheiro privado, mas sim de dinheiro público, e um assunto de interesse público”, afirmou.

Uma informação pública, segundo Calundungo, seria uma forma de o Estado prestar contas aos cidadãos, de modo a perceber- se os resultados em termos de dinheiro e activos recuperados.

Por: Maria Miranda Cassule