Enfermeiros não descartam a greve mesmo depois da resposta do MINSA

Enfermeiros não descartam a greve mesmo depois da resposta do MINSA

O Sindicato dos Técnicos de Enfermagem da Província de Luanda (SINTENFL) recebeu, no Sábado, 16, uma resposta da entidade empregadora, neste caso, do Ministério da Saúde (MINSA), sobre o caderno reivindicativo, que deu entrada no dia 31 de Dezembro último. Não satisfeito, o sindicato reunirá em assembleia no próximo dia 20 para ditar se avança ou não com a paralisação

A pretenção de paralisação da classe dos enfermeiros em Luanda surgiu de uma plenária, do dia 17 de Dezembro, sobre o funcionamento das unidades sanitárias na capital, como nos conta António Kileba, secretário provincial do SINTENFL, e desta elaborado o caderno reivindicativo.

A preocupação dos enfermeiros tem a ver com questões relacionadas com a falta de materiais gastáveis, de biossegurança, alimentação, bem como o salário que recebem. Dizem estar cansados de passar vergonha, serem culpabilizados pela má prestação dos serviços, mesmo sem terem condições. Por isso, acham que chegou a hora de reivindicar.

O caderno, com 16 pontos reivindicativos, segundo Kileba, foi entregue no dia 31 de Dezembro, e durante este período a entidade empregadora manteve-se em silêncio. Depois de, durante a semana finda, os enfermeiros terem aventado a possibilidade de entrarem em greve, o MINSA respondeu ao caderno reivindicativo.

“Eles responderam-nos ontem (16 de Janeiro), questões relacionadas ao caderno reivindicativo, mas é uma resposta que não satisfaz aquilo que reivindicamos. A resposta não condiz com a realidade que nós queremos, é uma resposta política e não técnica, pelo que não podemos entrar nesta onda”, disse.

Embora não tenha especificado o tipo de resposta, porque remeteu- nos a esperar o dia 20 de Janeiro – altura em que irão reunir, na UNTA Confederação Sindical, em plenária, não apenas para apresentar publicamente a resposta aos filiados, mas também para, juntos, determinarem se partem para a greve –, Kileba garantiu-nos que não esperavam “uma resposta como aquela”.

Tudo vai depender da plenária, se partimos para a greve ou continuamos a negociar. A promessa de que os problemas serão resolvidos não é, por si só, um ganho para o sindicato dos enfermeiros, pois considera esta uma resposta que não se reflecte na prática. Infelizmente, como disse o entrevistado a OPAÍS, a classe de enfermeiros sofre muitas agressões morais e não estão em condições de mais uma vez estarem a parabenizar este tipo de situações, pelo que esperam que seja resolvido este tipo de situação.

Preparados para a greve

Questionado se vão partir para a greve depois da plenária do dia 20, António Kileba disse que os enfermeiros de Luanda estão preparados, pois se não forem ‘revolucionistas’ nada vai acontecer no sector e continuarão a passar pelas dificuldades por que passam.

O facto de estarmos a viver uma Situação de Calamidade, por conta da pandemia da Covid-19, poderá pesar na tomada de decisão, mas, ainda assim, Kileba disse que “se tivéssemos que partir para a greve, não recuaríamos. Entretanto, tudo vai depender da próxima plenária”.

Se a paralisação acontecer, estamos a falar de pelo menos 4 mil enfermeiros filiados ao SINTENFL que lutarão para uma resposta prática às suas reivindicações. Sobre este assunto, ouvimos também o secretário-geral do Sindicato Nacional dos Enfermeiros, Cruz Viera Matete, que voltou a afirmar que as condições de trabalho, a nível nacional, não são das melhores, não apenas para os profissionais de enfermagem, como para os de saúde.

Cruz disse ainda que a possibilidade do diálogo não foi esgotada. Lembrou também que, no dia 22, remeteram a fundamentação do caderno reivindicativo ao Ministério de tutela, onde Kileba também foi prescritor, pelo que estão a espera a nível nacional.

“A greve é o último recurso e acreditamos que será privilegiado o diálogo. O enfermeiro é o guerrilheiro da linha de frente e há muitas instituições do país onde não há médicos e só há enfermeiros, pelo que muitas vezes estes sofrem represálias, até mesmo da falta de materiais. Isso também nos inquieta”, rematou.