Editorial: Pouca vergonha

Editorial: Pouca vergonha

A notícia da detenção do antigo responsável do Conselho Nacional de Carregadores, Abel Cosme, em Lisboa, no âmbito de uma solicitação das instâncias angolanas à Interpol demonstra até que ponto a falta de decência atingiu alguns gestores públicos.

Portugal, Dubai, Singapura e outros países foram transformados em zonas de repouso por alguns daqueles políticos, gestores e funcionários do Estado que, durante uma fase das suas vidas, tinham como única missão delapidar o erário. É provável que a ida de alguns destes gestores a estes países esteja aliada a uma estratégia bem delineada anteriormente, algumas das quais com recurso à obtenção das nacionalidades nestes países para que se sintam protegidos.

Embora ainda prevaleça a presunção da inocência, não há como acreditar que alguém que se tenha fugido seja tão inocente como, se calhar, poderá argumentar caso venha para Angola. Mesmo que se mantenham escondidos por largos anos, da fama não se vão livrar. Pela idade que muitos possuem, era tempo mais do que suficiente para se aperceberem de que o crime não compensa.