Pequenos produtores queixam-se do preço de adubo

Pequenos produtores queixam-se do preço de adubo

Dezenas de pequenos produtores manifestam-se preocupados com os preços elevados de adubos e pestecidas praticados actualmente no mercado. Os agricultores esperam por uma intervenção do Estado, de modo a inverter um quadro caracterizado de periclitante

Os agricultores justificaram que o vale do Cavaco, com cerca de 2 mil hectares de terras cultiváveis, tem tudo para produzir em grande escala não fossem os preços exorbitantes de produtos como adubos e pesticidas praticados no mercado nacional e local.

Preocupados, os agricultores explicaram que, nos últimos dias, têm vindo a atravessar enormes dificuldades por conta daquilo a que chamam de falta de incentivos por parte do Governo, uma vez que a prioridade do actual Executivo passa pelo aumento da produção, de modo a evitar a importação de produtos que se podem produzir em grande escala em Angola.

No vale do Cavaco, segundo constatação deste jornal, é notória a entrega de vários camponeses, maioritariamente mulheres, tendo em conta o fomento à agricultura, muitas vezes apregoado pelo ministério de Fernando de Assis.

No dia em que fazíamos está reportagem, a camponesa Mariana lançava a terra as sementes de tomate, cebola e milho, pimento e couve, depois de ter levado dias a fio a lavrá-la. A camponesa assegurou empenho para a produção em grande escala, mas insta o Executivo a trabalhar na criação de meios de produção.

‘Ó filho, é só mesmo adubo. Está muito caro’, reclama, na língua nacional umbundu, sustentando, contudo, que um saco de 50 quilos de adubo está agora a custar 25 mil kwanzas, contrariando os 15 mil anteriormente praticados. O mesmo se dá em relação ao bidão de insecticidas. Um recipiente de cinco litros custa, actualmente, 10 mil kwanzas, quando já esteve muito mais barato.

‘Com estes preços, ó filho, está difícil. Assim nós plantamos só já para comer’, justifica a camponesa, esperançada de que as entidades de direito, com destaque para o Ministério da Agricultura, possam influenciar para baixar os preços.

A senhora Madalena Nené gostaria de ter outras culturas na sua fazenda, como tomate, cebola, mas, em função da carência de adubo, vê-se, deste modo, obrigada a apostar apenas na cultura do milho, a que mais resiste a pragas e não exige tanto quanto outras culturas.

De acordo com a agricultora, uma outra preocupação tem que ver com combustível para alimentar os motores de sucção de água. De tal sorte que se afigura importante, segundo justifica, uma atenção especial do Governo neste quesito.

A razão da subida de adubo

O economista Janísio Salomão refere que um dos factores para o encarecimento dos preços de adubo no mercado é a concorrência desleal, porquanto muitos importadores de fertilizantes são, simultaneamente, produtores e importadores.
‘O produtor vai adquirir os fertilizantes que já contêm uma margem de lucro. Eu, como importador, importo: uma parte vendo e outra coloco na minha produção. Aqui estamos a falar de produtos que serão apresentados ao consumidor final a preços distintos. Eu que importei apresento o preço mais baixo e aquele que comprou um input na minha loja apresenta o preço mais elevado’, elucida o especialista.
A OPAÍS, Janísio Salomão defendeu a necessidade de quem de direito rever a questão que considera de periclitante, que acaba por afectar, em certa medida, a produção nacional, pondo, deste modo, em causa as estratégias que o Executivo angolano tem gizado.