Carta do leitor: Combate à corrupção e à impunidade

Carta do leitor: Combate à corrupção e à impunidade

Digníssimo coordenador de O PAÍS,

saudações calorosas e votos de uma óptima semana de trabalho… Pela primeira vez escrevo para o vosso espaço e vou abordar o combate à corrupção e à impunidade que durante anos assola o nosso belo e rico país, Angola. Penso que quem levou o assunto em questão à Assembleia Nacional tem noção dos estragos que o fenómeno já causou na sociedade angolana. Pois, o primado da moral e da ética, nunca tidos nem achados na gestão da coisa pública, há anos, contribuiu para regredir o país em vários domínios. Mesmo com a presença da Lei Penal no ordenamento jurídico angolano, dirigentes, do topo a base, “estupraram” as instituições como se fosse coisa pessoal, ainda que fosse um mínimo ético tinha que ser tido em conta. Por esta razão, se fosse na religião, seria o momento de dobrar os joelhos e exortar pelo perdão ao Altíssimo.

Não sendo, a razão e as falhas cometidas por dirigentes, que são ou foram detentores de cargos públicos, deve ser um elemento fundamental para alterar o paradigma e lavar as paredes das nossas instituições. Porque, Angola precisa afirmar-se no contexto das nações, o combate à corrupção e à impunidade devem merecer atenção de todos. Mais do que aplicar a Lei Penal aos casos concretos de peculato ou de abuso de confiança, é necessário avocar a moral e a ética. E isso passa por apostar num sistema de educação pública e privada forte, associado a uma distribuição equitativa da riqueza em Angola.

A acontecer, apesar de que será um processo, à luz da vontade geral, as famílias terão condições para resgatar os valores e, consequentemente, se reflectir na sociedade, palco cuja responsabilidade social é colectiva nos termos do “Contrato Social”, se assim o quisermos. Por isso, louvo a coragem de quem levou o tema à Assembleia Nacional, isto implica que o processo de mudança continua em curso, embora se vislumbrem algumas resistências por parte daqueles que tomam decisões, bem como de alguns destinatários.

Agante Ovambo Ondjiva, Cunene