É de hoje… Outra seca

É de hoje… Outra seca

Desta vez não foi necessário que o padre Pio Wakussanga surgisse para alertar sobre o dilema em que se encontram os milhares de angolanos que habitam a região dos Gambos, na Huíla, e noutros pontos do país por causa da fome. Também nem precisamos do clamor da parte da empresária Filomena Oliveira, outra acérrima defensora dos habitantes do Curoca, para que nos apercebêssemos . Uma vez mais. A seca, em muitas partes de Angola, continua a ser uma realidade. São inúmeros os cidadãos que nesta fase se encontram sem alimentos, o que deverá obrigar o Executivo a desdobrar-se para acudi-los, ao mesmo tempo que esperamos que sejam dados alguns sinais em relação aos projectos para a mitigação lançados há alguns anos.

Há algum tempo, sempre que as questões climatéricas apertassem ainda se poderia acreditar no descaso que se viveu por falta de algumas ideias. Actualmente, mesmo que se acredite que a força da natureza seja quase que invencível, a inteligência humana, através das acções de quem governa, fez com que se desembolsasse elevadas quantias para a construção de furos de água em determinadas zonas, ao mesmo tempo que se desenvolviam igualmente projectos no sentido de se levar a água do rio Cunene para outros pontos da província com o mesmo nome e arredores. Nesta fase, era esperado que o impacto destes projectos já se fi zesse sentir.

Os furos de água, divulgados pela própria imprensa na época, são agora apontados por alguns responsáveis como estando a fornecer água salobra em várias zonas. E os estudos feitos? Habituados a se locupletarem dos dinheiros públicos, uma prática ainda com alguns adeptos, apesar do combate contra a corrupção que se está a levar a cabo, não espanta se em muitas localidades estes projectos tenham acabado nas mãos de empresas sem qualquer experiência sobre o assunto.

Não se trata de uma simples desconfi ança, cujos contornos podem ser agora divisados. É que em Junho do ano passado já alguns líderes religiosos se queixavam desta possibilidade. Previam que a situação se fosse agudizar até mesmo por falta de transparência da parte de algumas entidades na implementação de projectos para as populações que habitam nas zonas mais afectadas. Parece não haver muitas razões para que muitos angolanos vivam o pesadelo dos anos anteriores. O que se precisa apenas é que alguns governadores provinciais e os respectivos administradores apresentem o que se dizia existir na altura para colmatar as difi culdades. Incluindo as famosas moto-cisternas. Será que se lembram delas?