Antigos dirigentes do PSD fundam Partido Socialista “ Os Verdes”

Antigos dirigentes do PSD fundam Partido Socialista “ Os Verdes”

Tem à testa o antigo vice-presidente do Partido Social Democrata, António Marial dos Santos, Fany Fany, e Santos Bengui, respectivamente

Um grupo de antigos dirigentes do Partido Socialista Democrata(PSD) está a criar um partido político denominado Partido Socialista “ OS verdes”, cujo credenciamento para a comissão instaladora deste projecto político será legalizada brevemente pelo Tribunal Constitucional (TC).

A informação foi prestada a O PAÍS pelo coordenador do projecto, António Neto Marial dos Santos, que garantiu que faltam poucos pormenores para que o mesmo seja reconhecido.

António Marial, antigo vice-presidente do PSD, disse que a fundação do “ Os verdes”, de ideologia de esquerda, não tem nada a ver com a refundação do seu antigo partido, excluído em 2008, num grupo de mais de 100 partidos políticos, por decisão do Tribunal Constitucional.

Assegurou que dos co-fundadores do PS (Os Verdes), além de si, figuram ainda Santos Bengui e Fany Fany, que querem transformar este projecto num verdadeiro partido político, e prometem concorrer nas eleições autárquicas e nas eleições gerais de 2022.

“Não vamos ser só mais um partido político qualquer, mas sim para darmos o nosso contributo para a nossa jovem democracia”, declarou. Para o político, que foi o segundo homem “mais forte” na altura em que o PSD era liderado pelo malogrado Bengui Pedro João, os co-fundadores deste projecto têm uma larga experiência em matéria de dirigismo político-partidário, por isso prometem trabalhar para participarem nos dois desafios eleitorais que o país têm pela frente, e, consequentemente, conseguirem uma safra eleitoral que lhes permitam obter assentos na Assembleia Nacional.

Para melhor desempenho, indicou que a sede nacional funcionará em instalações próprias no bairro Nelito Soares(Vila Alice), distrito do Rangel, em Luanda, enquanto que se trabalha para a criação de outras estruturas correspondentes em todos os municípios da capital do país e também nas sedes provinciais.

Questionado sobre o silêncio aparentemente sepulcral em que estavam remetidos os antigos dirigentes do PSD, hoje no “ Os verdes”, respondeu que estavam a reflectir profundamente o “day after”, depois da extinção daquela força política.

“Nós somos políticos de inteira gema”, sublinhou, explicando em seguida que o facto de o PSD ter sido extinto não sentenciou os seus antigos dirigentes, quadros e outros, de se abdicarem de exercer a política activa, mas o defeso serviu para analisar profundamente como se devia voltar à nova era política.

O político considera que com a extinção de mais de centenas de partidos políticos, sendo que alguns pouco ou nada faziam o seu papel, veio trazer uma nova lufada de ar fresco no xadrez político nacional.

Defendeu que o país não precisa(va) tantos partidos políticos para fortalecer o Estado Democrático e de Direito, mas os necessários e capazes de dar o seu contributo e corresponder aos anseios dos cidadãos.

António Marial disse que há várias formas de os cidadãos contribuírem enquanto actores políticos, não só nos partidos, mas também noutras esferas, como grupos de pressão da sociedade civil, exercendo a cidadania, nos marcos da lei.

“Não temos aliança com MPLA”

António Marial desmentiu informações que dão conta de que “Os Verdes” são um apêndice do MPLA, partido no poder, explicando ser um projecto que não tem “ a mão visível e nem invisível” desta força política que sustenta o Governo.

Comedido nas suas declarações, admitiu que uma vez transformado em partido político, poderá fazer alianças com qualquer força política que achar conveniente, quando assim os seus membros decidirem, mas o propósito é trabalhar a “solo” depois que for legalizado.

Recordou que o PSD teve boas relações institucionais com o MPLA, mas nunca teve nenhuma aliança para quaisquer fins.

Combate à corrupção

Convidado a fazer uma análise sobre o combate à impunidade e a corrupção levada a cabo pelo Governo, disse estar no bom caminho, mas tarda pelo facto de ter começado só em 2017, com a entrada em funções do novo Presidente da República, João Lourenço.

Apesar de tardio, a fonte acredita que o mais importante é ter começado, realçando que os resultados contra o crime de “colarinho branco” estão à vista de todos, até para os mais cépticos.

António Marial sustentou que o país só pensará em desenvolvimento quando se acabar com os laivos do cancro da corrupção que atingiram proporções alarmantes. O projecto político PS (Os Verdes) foi fundado em 2019, em Luanda, segundo António Marial dos Santos, que, além deste projecto político, o Tribunal Constitucional legalizou duas comissões instaladoras, Partido Humanista de Angola (PHA) da advogada Florbela (Belas) Malaquias, e o Njango, de Eduardo(Dinho) Jonatão Chingunji, ambos dissidentes da UNITA, o maior partido na oposição em Angola.