Mãe com filha “paralisada” reanima a fé e invoca sensibilidade das pessoas

Mãe com filha “paralisada” reanima a fé e invoca sensibilidade das pessoas

Ana Nangombe Dumbo chegou mesmo a confessar que, em alguns momentos, perde a esperança, devido às respostas silenciosas que tem recebido das instituições e entidades onde já recorreu com intuito de pedir socorro para a filha que não anda, nem fala há mais de 13 anos

Deitada numa cama, vulgarmente conhecida como sendo do tipo de solteiros, sua filha, Francisca Armanda Vilma ou simplesmente Chica, como é tratada pela mãe, amigas e pessoas mais próximas, facilmente deixava transparecer os membros inferiores totalmente fragilizados e imobilizados, de tal sorte que pareciam estar mais confortáveis, se cruzados.

Embora os braços aparentassem estar mais vivos, estes também não tinham mobilidade apropriada. A pequena Chica só se movia mesmo se a mãe ou outra pessoa lhe viesse mudar a posição. Os olhos eram os únicos órgãos nos quais se adivinhava rapidamente alguns movimentos, às vezes, rapidamente reforçados por alguns sorrisos, como aconteceu na manhã de Quinta-feira, 21, desta reportagem.

“Eu entendo ela, quando tenta falar alguma coisa, como por exemplo os sons que ela exprime para pedir água”, atirou, puxando para si um contentamento momentâneo, ao mesmo tempo que explicava que, apesar da condição actual, a sua Francisca não era uma menina de tantas chatices.

Acrescentou, entretanto, que, quando tem alguma coisa a incomodar- lhe, ela faz sinais e, como mãe, dá logo por conta da necessidade correspondente. Considerou-a uma criança que realiza factividades próximas do normal, como brincar e comer, embora do jeito que der.

“Há momentos em que ela chora e grita, em vez de sorrir”, disse Ana Nangombe, que, nessa altura, estava sentada na cama a amparar os cabelos de Chica, enquanto lhe dirigia outros mimos.

Afinal, ela preferia aproveitar os momentos de alegria, que, neste dia tinham começado mais cedo e se prolongavam até ao meio-dia a vê-la triste ou cobrando-lhe assistências diárias referentes, por exemplo, à troca de fraldas descartáveis.

Ana Namgombe e as pessoas que se predispõem, diariamente, a ajudar a pequena Francisca têm de alternar os serviços de banho, mudança de roupa e de carregá-la de um sítio para outro.

Na tentativa de explicar as causas da paralisação quase total da filha, a interlocutora do O PAÍS, que guarda tristes memórias de um suposto erro médico, ocorrido na primeira cirurgia a que a menina foi submetida no Lubango, antes do primeiro semestre de vida, em Janeiro de 2009, não evitou algumas lágrimas.

“A operação não correu bem, porque, quando cheguei aqui em Luanda, já na segunda metade de 2009, o médico que lhe atendeu e fez parte da equipa que a operou, na segunda vez, é que me despertou para isso”, contou Ana, tendo realçado que, desde então, a sua filha passou a precisar de cuidados especiais, ao ponto de ser necessário dar-lhe de comer.

Uma das tarefas que sobrecarrega bastante as forças de Ana é a de ter de lhe levar às consultas e às massagens, encargos que, actualmente, se tornaram difíceis para a encarregada, uma vez que agora a filha já está grande, carecendo de outras estratégias para ser levada ao colo.

Segundo o que a mãe advoga, a rapariga não pode andar carregada às costas, devido ao seu estado, cujo quadro aparente se resume nas pernas enfraquecidas e encurvadas e da coluna vertebral também com as funções de suporte do corpo bastante limitadas.

“Às vezes, nós ficamos mais de duas horas na paragem à espera de um táxi e a falta de uma cadeira especial para ela agrava ainda mais a nossa condição, porque há taxistas que nos rejeitam, mesmo disponibilizando-se a pagar três lugares ou um banco completo”, lamentou Ana Nangombe, adiantando que a única cadeira de rodas que lhe foi ofertada não serve, porque a coluna vertebral da filha já não conserva a função de verticalidade.

“Essa cadeira de rodas para ela não dá, tem de ser mesmo uma especial, mas, infelizmente, eu não tenho como a conseguir. É muito cara”, queixou-se, logo a seguir, tendo exigindo à equipa desta reportagem a fazer mais uma pausa, devido ao pranto que, inicialmente, procurou conter.

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