Defendido o aumento de mulheres nas missões de manutenção da paz e segurança

Defendido o aumento de mulheres nas missões de manutenção da paz e segurança

A resolução 1325 do Conselho de Segurança das Nações Unidas reforça a importância da participação das mulheres nos esforços de manutenção e promoção da paz, da segurança, na prevenção e resolução de conflitos

O director-geral do Instituto de Defesa Nacional(IDN), das Forças Armadas angolanas (FAA), António Miranda, assegurou que a mulher joga um importante papel na prevenção, resolução de conflitos e na construção da paz. Por isso, defende mais alargamento do número desta classe. Com base nestas valências, considerou importante aumentar o seu papel na tomada de decisões no que respeita à prevenção e a resolução de conflitos.

De acordo com o responsável, que falava na abertura da mesa redonda sobre a Participação das Mulheres nos Processos de Manutenção da Paz e Resolução de Conflitos, realizada recentemente em Luanda, apesar do baixo percentual da participação feminina nos efectivos militares das FAA, a direcção do Ministério da Defesa Nacional e Veteranos da Pátria e das Forças Armadas Angolanas (FAA) tem vindo a implementar, na medida do possível, as grandes orientações constantes na resolução 1325.

A resolução 1325 do Conselho de Segurança das Nações Unidas reforça a importância da participação e do envolvimento das mulheres nos esforços de manutenção e promoção da paz, da segurança, na prevenção e resolução de conflitos nas operações de paz.

Esclareceu que a participação qualitativa e quantitativa da mulher militar no processo de tomada de decisões relativas às operações de manutenção da paz e de resolução de conflitos dependerá do seu nível de preparação.

Informou que, para responderem a essa exigência, ao nível da sua instituição, tem havido acções formativas periódicas dirigidas essencialmente aos oficiais. “Espera-se que a médio prazo as FAA contem com uma maior disponibilidade de oficiais do sexo feminino para participarem nas missões de paz, considerando o crescente registo na sua integração nas academias militares”, augura.

Para António Miranda, que é vice- almirante da Marinha de Guerra (MGA), a preparação da participação dos militares em operações de apoio à paz e de resolução de conflitos resulta de um processo de formação e treino, desenvolvido no quadro da formação contínua ou especifica dos oficiais das forças armadas, classe em que as mulheres “estão fracamente representadas”.

A sub-representação, segundo o oficial general, decorre essencialmente do princípio da incorporação da mulher nas Forças Armadas Angolanas, que é o do voluntariado.

Missões da SADC

António Miranda recordou que a participação de Angola na missão de prevenção da SADC, no Reino do Lesotho, mais conhecida por SAPMIL, no período de Novembro de 2017 a Novembro de 2018, as FAA foram a única componente que integrou 14 mulheres, num grupo de 205 militares, correspondendo 6,8 porcento.

Acrescentou que a elas foram atribuídas tanto missões operacionais como de asseguramento médico e logístico, e no mesmo contingente participaram também efectivos da Polícia Nacional (PN) do Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM) e do Serviço de Inteligência Externa (SIE).

Pouca representação feminina

De acordo com a fonte, as mulheres representam três por cento do pessoal militar nas FAA e 70 do seu pessoal civil. “Significa dizer que existe actualmente uma capacidade real para que o percentual de participação da mulher no corpo de oficiais das FAA aumente de 1, 97 porcento para 18,09 porcento, que é a taxa média de integração feminina no corpo de cadetes das academias”, explicou.

Fez saber que o posto mais elevado ostentado por mulheres no activo é o de brigadeiro e representam 0,9 por cento dos militares deste posto. Na classe de oficiais superiores, as mulheres constituem 2,4 por cento dos coronéis, 1,9, porcento dos tenentes coronéis e 2,7 porcento dos majores, revelou António Miranda.

Abordando o tema ” Experiências e Desafios das Mulheres nos Órgãos de Defesa e Segurança”, promovida pelo Ministério de Acção Social, Família e Promoção da Mulher (MASFAMU), acrescentou que há uma participação média feminina de 1,97 por cento nas classes de oficiais referidas.

Revelou que dados da Academia do Exército referem que as mulheres representam 22,6 porcento dos cadetes, enquanto na Academia da Força Aérea 4,25 porcento, 8, 27 porcento na Academia Naval, e 37, 26 porcento no Instituto Superior Técnico Militar (ISTM).