Kolectivo Baúka “eterniza” kudurista Nagrelha em mural no Sambizanga

Kolectivo Baúka “eterniza” kudurista Nagrelha em mural no Sambizanga

Trata-se de uma obra de arte urbana que cobre os 10 andares, com técnica mista, que reúne colagem, pintura e grafite numa única fachada, com 680 metros quadrados

A imagem do kudurista Nagrelha está desde a semana finda “eternizada” numa das fachadas do conhecido prédio do Livro, do São Paulo, distrito urbano do Sambizanga, cobrindo dez andares do referido edifício numa iniciativa do Kolectivo Baúka, com a apoio da cervejeira Luandina.

Sob o signo “Nagrelha, o puro wi da n’guimbi”, o trabalho visa homenagear o artista por ser um filho do bairro, que pelo seu carisma e talento representado num dos estilos mais mediáticos do país, Kuduro, dá cartas quer no interior como no exterior.

“Wi” é um termo popular e emblemático que se usa recorrentemente “na banda” para chamar “um indivíduo”. É uma referência que se usa para identificar alguém. Esta expressão é das mais comuns na gíria diária angolana, e não se usa em qualquer outro lugar do globo, senão em Angola.

Em Angola, “Wi” simboliza “a persona” que, se sabendo ou não o nome, é, à partida, um homem do povo para os angolanos. “O Puro Wi” é o statement que mostra o artista como sendo o “puro wi”.

Por sua vez, o termo “Da N’guimbi” significa da terra, da banda, de Angola… A Nossa N’guimbi, a Nossa Terra, a Nossa Banda! N’guimbi tem um sentido elástico para a música e artes plásticas, podendo ser o seu bairro, a sua cidade ou o seu país. Uma expressão de pertença.

“Só é da N’guimbi quem é daqui e, daqui, significa ser de Angola, porque em nenhuma outra parte do mundo se usa esta expressão. É intrínseca à comunidade e só quem dela faz parte entende”, pode ler-se numa nota descritiva do projecto.

Por essa razão, o Kolectivo Baúka desafiou a marca de cerveja angolana Luandina a homenagear Nagrelha com uma das maiores e mais impactantes empenas de arte urbana de Angola e de África.

O artista

Nagrelha (Gelson Manuel Caio Mendes) é um kudurista popular, e uma referência sobretudo da juventude das zonas suburbanas. Nasceu a 30 de Outubro de 1986, no então município do Sambizanga, onde viveu até aos seus 30 anos de idade, e onde continua a pertencer e a permanecer.

Casou em 2012, com Weza Caio Mendes, que lhe proporcionou uma vida estruturada e familiarmente estável, o que ajudou a alicerçar e amadurecer o seu percurso de sucesso, sendo também a família do músico um exemplo aspiracional para inúmeras famílias de Angola.

Na sua simplicidade e pureza, foi traçando um caminho por todos hoje reconhecido e proclamado como o expoente máximo do Kuduro em Angola. O “Estado Maior do Kuduro”, o principal rosto dos Demónios do Sambizanga, ou simplesmente o “Naná” já tem, juntamente com companheiros, cinco álbuns notáveis e fortemente aclamados pelos seus fãs.

O artista já representou Angola e o Kuduro (na sua essência 100% angolana) em festivais de música em países como o Reino Unido, Estados Unidos da América, Bélgica, Alemanha, França, África do Sul, Brasil, Portugal, Moçambique e São Tomé sem nunca esquecer ou mutar as suas raízes.