Tribunal recomenda a presença de “Soba” para esclarecer homicídio da jornalista da RNA

Tribunal recomenda a presença de “Soba” para esclarecer homicídio da jornalista da RNA

O tribunal Provincial de Luanda recomendou aos Serviços Prisionais a presença do cidadão, até então, identificado apenas por Soba, no julgamento do caso da jornalista da RNA morta no Rangel, no ano passado, por este ser pronunciado como o autor do disparo que a vitimou

Retoma, hoje, na 1ª Secção do Palácio Dona Ana Joaquina, o julgamento dos quatro indivíduos que vêm acusados e pronunciados da morte de Alice Nádia Marcelino, jornalista da RNA, vitimada em casa, à tiro, no dia 29 de Abril de 2020, após ter surpreendido dois cidadãos que tentavam roubar a placa electrónica da sua viatura.

O grupo de acusados é composto por quatro elementos, mas o que terá supostamente feito o disparo mortal era pronunciado nos autos como prófugo. Era, porque já se sabe onde está o indivíduo identificado apenas por “Soba”, uma vez que encontra-se detido na Comarca de Viana, pelo cometimento de um outro crime.

Assim, o tribunal escreveu para a cadeia no sentido de facilitarem a chegada do Soba, tal como confirmou para este jornal o advogado de defesa do coréu José Nunda de Almeida, Damião Dombe.

O co-réu José Nunda é o elemento que no grupo de quatro os outros três não sabem de onde apareceu, por que razão está a ser julgado neste processo, para além de não o conhecerem de lado algum.

Os três réus, nomeadamente Da Lua, MT e Milibú declararam, tanto na instrução preparatória, quanto no tribunal, que não conhecem o co-réu José Nunda de Almeida, nunca o tinham visto antes e, evidentemente, não esteve no dia do assalto às placas – dia este em que Alice foi morta.

“Sinceramente, senhor juiz, não sei como ele [José Nunda de Almeida] veio parar neste processo. O Soba é quem devia estar aqui porque ele é quem fez os disparos”, disse Milibú, o dono da arma, na instância do juiz da causa, na última audiência.

José Nunda de Almeida está a ser acusado apenas do crime de associação de malfeitor, crime este que o seu advogado, Damião Dombe, pede que o absolvem, por não existirem provas que o incriminem, porquanto este indivíduo não tem nenhuma relação com os outros réus e nem sequer os conhece.

José foi detido no dia 22 de Julho de 2020 quando se dirigiu à esquadra do CTT-Rangel, depois de ter ouvido de sua esposa e sua mãe que agentes do SIC apareceram em casa e as molestaram, como disse o advogado.

O advogado pediu ainda que se alterasse a situação carcerária do réu, para a liberdade provisória sob termo de identidade de residência, uma vez que já está detido há sete meses, mas o tribunal entendeu não agir desta forma. A justificação é que tal alteração poderá beliscar o processo.