Jorge Mulumba considera ‘grave’ estado da música tradicional no país

Jorge Mulumba considera ‘grave’ estado da música tradicional no país

A constatação é do líder do grupo tradicional Nguami Maka, Jorge Mulumba, quando fazia uma radiografia sobre o estado actual da música folclórica no país, respondendo em exclusivo a este jornal

 

À margem do lançamento do projecto de massificação e divulgação do instrumento tradicional “Dikanza”, denominado “Tuxika Ô Dikanza”, lançado recentemente em Luanda, o seu mentor, Jorge Mulumba, considerou que o “estado da música tradicional no país é grave, por não existir gestão dos grupos”. Para o músico, a situação agravou-se com a entrada em cena da pandemia da Covid-19, sendo que este quadro pode ser invertido,
com encontros regulares estratégicos de especialistas com vista a que os artistas sejam os guias dos seus próprios destinos.

O maestro, que “herdou” de mestre Kituxi o traquejo pelo também conhecido “reco-reco”, adianta que este género musical tem público e mercado, justificando como prova dessa realidade o resultado das lives realizadas pela Televisão Pública de Angola (TPA), quando o assunto é música tradicional. “Todas as lives que trouxeram grandes elogios são as que foram realizadas com música tradicional. Faltam políticas por parte dos artistas. Eles nunca aprenderam a ter uma gestão para que soubessem andar com as próprias pernas. Precisamos de ter encontros estratégicos com especialistas, para que possam ajudar a mudar este quadro”, defendeu.

“Tuxika Ô Dikanza”

Relativamente ao projecto “Tuxika Ô Dikanza”, cuja essência é a massificação, preservação, divulgação e ensino deste instrumento secular, vai incidir, numa primeira fase, a crianças da província de Luanda com idades entre os 8 e 17 anos. A iniciativa, que conta com a parceria do Governo Provincial de Luanda, através do gabinete de Cultura, Turismo, Juventude e Desportos, assim como do Museu de Antropologia e da UNAC, tem previsão de arranque em Fevereiro. Entretanto, as aulas terão lugar nas instalações do Museu Nacional de Antropologia, sendo que critérios de inscrição e admissibilidade às aulas estão a ser preparados cuidadosamente e, em breve, serão anunciados, de acordo com a organização da iniciativa.

Ensino Além do ensino, o projecto contempla, igualmente, a realização de debates e palestras referentes à importância dos instrumentos tradicionais da música angolana, que vai incluir, a posterior, a puita, kisanji, Marimba, Hungo e Mukindu. “Numa visão futurista, vamos começar a introduzir no ensino outros instrumentos tradicionais. Por outro lado, era bom realçar que há muito material para a produção da Dikanza. Vamos precisar é de ensinar também os artefactos para sua confecção às pessoas”, lembrou.

 

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