É de hoje…Tempos novos, vícios velhos

É de hoje…Tempos novos, vícios velhos

Quem se lembra dos tempos em que ministros, governadores provinciais e administradores municipais ameaçavam levar a tribunal as construtoras que não honravam os compromissos assumidos com o Executivo?

Muitas das ameaças não se concretizaram, de tal maneira que continuamos a assistir a empreitadas sem qualidade e casos de empreiteiros que sumiram do nosso ‘mapa mundi’ sem terem honrado com os compromissos assumidos.

Há pouco dias, aqui mesmo em Luanda, ficamos a saber que a empresa contratada para reabilitar uma das instituições de ensino sediada no famoso Largo das Escolas tinha deixado de dar sinais. Não há informações sobre o paradeiro dos seus responsáveis e muito menos do encarregado de obras.

A ânsia por lucro fácil fez com que não houvesse, durante anos, qualquer diferença entre o gestor público e o próprio empresário. Um era o outro, ou seja, os dois acabavam por ser a mesma pessoa, facto este que fazia com que uns se sentissem confortáveis ao ponto de nem sequer prestar contas.

Longe de qualquer tentativa de difamação, como é apanágio de alguns, os dados sempre estiveram aos olhos de todos, principalmente nos ministérios, administrações municipais e governos provinciais.

O país não pode hoje, numa fase em que se propala o combate à corrupção e o respeito pelo bem de todos, tolerar que a prestação de contas seja um elemento facultativo para os gestores públicos.

Do mesmo modo que as empresas públicas têm um horizonte temporal para a prestação de contas, todos os demais responsáveis que têm à mão dinheiros de todos os angolanos deviam fazê-lo em tempo útil. A bem da transparência de que se precisa cultivar e de um modelo de gestão que case com esta nova fase da vida do país. Não é aceitável que continuemos a ouvir de responsáveis do Execitivo central desabafos ou ameaças para que alguns gestores justifiquem os orçamentos que têm recebido. Há dias, através dos órgãos de comunicação social, ouvimos e lemos que muitos dos administradores municipais não conseguem justificar os valores empregues no combate à pobreza, quando hoje até estamos a ser confrontados com informações e casos de pessoas que estão a abandonar as suas áreas de origem por falta de alimentos.

Mais do que expor um agente público que tenha surripiado ou corrompido com 25 mil Kwanzas, é preciso olhar também para  o “filet mignon” em que se transformaram as contas geridas por muitos.