Mais de 200 jovens simulam desaparecimento para justificar ausência do seio familiar

Mais de 200 jovens simulam desaparecimento para justificar ausência do seio familiar

No ano de 2020, o Serviço de Investigação Criminal registou um total de 271 casos de simulação de desaparecimentos, perpetrados, maioritariamente, por mulheres, com idades compreendidas entre os 15 e os 25 anos, para justificarem a ausência da casa dos pais sem o consentimento destes. O SIC desmente que haja casos de rapto e que não passam de propagandas de pessoas de má-fé para criar insegurança na sociedade

Nos últimos tempos, várias fotografias de jovens, adolescentes, senhores e até mesmo crianças têm invadido as redes sociais, com mensagens e números de telefone sob a alegação de que estariam desaparecidas e/ ou terão sido raptadas. Essa situação passou a preocupar a sociedade em geral e, particularmente, os citadinos de Luanda.

Assim, para esclarecer, o Serviço de Investigação Criminal, na voz do director nacional de combate ao crime organizado, Pedro Lufungula, disse, ontem, em conferência de imprensa, que não se tratam de raptos ou sequestros, pois muitos são os adolescentes que aparentemente estiveram desaparecidos, quando, afinal, se encontravam noutros ambientes com os namorados, amigos e outras companhias, sem o conhecimento e autorização dos tutores.

O sequestro ou rapto, bem como o desaparecimento, deve ser investigado, e o SIC apenas trabalha com os casos que são participados, pelo que durante o ano de 2020 registou um total de 332 participações de pessoas que estavam supostamente desaparecidas.

“Deste número, 271 casos são de simulação de desaparecimento, dos quais se destacam a presença maioritária de jovens do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 15 e os 25 anos, que se ausentaram das residências dos seus tutores sem o conhecimento destes, voltando ao convívio familiar dias depois”, disse.

Tiveram ainda 32 casos de desaparecimento, que resultaram da negligência ou falta de cuidados por parte dos tutores, em relação aos menores e idosos, que foram mais tarde encontrados pela Polícia e encaminhados aos centros de acolhimento. Os outros 29 casos que restam, do total de participações, são de pessoas dadas como desaparecidas, mas que foram vítimas de ofensas corporais na via pública e de acidentes de viação, cinco dos quais resultaram em morte.

Fugir problemas de casa

Ainda na causa deste tipo de comportamento, de simulação de desaparecimento, estão as desavenças no seio da família, ou mesmo violência doméstica, bem como razões relacionadas com distúrbios mentais, como fez saber aquele director.

Por exemplo, em 2020, o SIC registou o caso de um diplomata, que foi dado como desaparecido, quando, na verdade, devido aos conflitos familiares, abandonou a sua residência habitual depois de constituir uma outra família – onde se encontra a viver actualmente.

Registou também o caso de uma jovem, desaparecida, que padece de perturbações mentais e foi encontrada nas imediações do Maculusso, em Luanda, estando neste momento no seio da família.

No ano de 2020, não se registou nenhum crime de sequestro, como disse, apenas no mês corrente, do presente ano, se registou o caso de que foi vítima um cidadão, de 32 anos, libanês, no Talatona, mas que também já foi esclarecido, tendo sido o móbil do crime a subtracção de valores monetários no multicaixa.

“Aproveitamos a oportunidade para dizer que a situação da criminalidade na capital e no país é estável e está sob o controlo dos órgãos de defesa e segurança. Pessoas de máfé e grupos de indivíduos com objectivos inconfessos procuram promover o pânico e sentimento de insegurança na população, estando em curso acções investigativas com vista à responsabilização criminal dos envolvidos”, sublinhou.