Sectores da agricultura, produção animal e pesca foram os maiores empregadores do trimestre findo

Sectores da agricultura, produção animal e pesca foram os maiores empregadores do trimestre findo

Ao contrário, os sectores das finanças, imobiliário e construção foram os que menos empregos geraram, atingindo a taxa de 0,6%

Os sectores da agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca, com visíveis apostas do Executivo para a sua sustentabilidade, foram os que mais geraram empregos no quarto trimestre do ano passado, 56,1 por cento, de acordo com dados apresentados, ontem, na sede do Instituto Nacional de Estatística.

Os dados constam dos resultados do Inquérito ao Emprego em Angola (IEA) e correspondem a 6 milhões, 34 mil e 744 pessoas. Durante a apresentação, a directora do INE destacou que, comparativamente ao período homólogo de 2019, a taxa de emprego no país elevou-se a 62,1 por cento, com maior incidência para os homens, com 64,9 por cento, contra 60,9 para as mulheres.

Ainda no quarto trimestre de 2020, o segundo maior empregador foram o sectores do comércio, reparação de veículos automóveis e motociclos, com 19,4 por cento, significando 2 milhões, 87 mil e 546 pessoas.

Ao contrário, os sectores das finanças, imobiliário e construção foram os que menos empregos geraram, atingindo a taxa de 0,6 por cento.

A população inactiva foi avaliada em um milhão, 717 mil e 482 pessoas, mais elevada na zona urbana (11,9 por cento) do que na rural (5,9). Contudo, disse, reduziu em 0,3 por cento, em relação ao trimestre anterior.

“A redução da taxa de inactividade, no quarto trimestre de 2020, deveu-se ao relaxamento das medidas de contenção da Covid-19”, garantiu Chaney John, lembrando que, no período em análise, Luanda teve apenas 50 por cento da força de trabalho e as restantes 17 províncias 75 por cento.

Segundo a responsável, prevê-se o aumento da taxa de emprego para os próximos tempos, com o início da campanha de vacinação contra a Covid-19, que vai estimular a actividade económica no país. Tal está previsto para o próximo mês e será gratuita, segundo fez saber a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, à saída da 12.ª sessão ordinária do Conselho de Ministros, orientada pelo Presidente da República, João Lourenço, em Dezembro do ano passado.

A população desempregada está estimada em 4 milhões, 747 mil e 622 pessoas e, em relação ao trimestre anterior, diminuiu em 8,9 por cento, significando 461 mil e 23 pessoas. Porém, comparativamente ao terceiro trimestre de 2019, este número aumentou em 120 mil, 465 pessoas.

“Houve uma suposta melhoria”

O economista Daniel Sapateiro considerou a necessidade de haver mais esclarecimentos sobre os dados do IEA, porquanto houve melhoria nos dados do quarto trimestre do ano passado, em relação ao trimestre anterior, apesar do encerramento de empresas, emigração de angolanos e estrangeiros expatriados que já não regressaram ao país.

Por outro lado, disse, “é muito esquisito concentrar 90 por cento da população activa entre os 15 e 24 anos e, neste grupo, temos uma taxa de desemprego acima de 50 por cento”.

Daniel Sapateiro advertiu, também, sobre a importância de se conjugarem outros indicadores no inquérito, “como o da informalidade, que representa 80 por cento de toda a Economia e pode confundir- se com a inactividade”.

POR: Dumilde Fuxi