Violação de normas da PGR leva ex-administrador à cadeia no Cuanza-Norte

Violação de normas da PGR leva ex-administrador à cadeia no Cuanza-Norte

Segundo fonte da PGR do Cuanza-Norte, Miguel Gaspar está detido, desde o dia 21 do mês curso, na comarca de Ndalatando, por ter violado a medida de coação de termo de identidade e residência que lhe tinha sido imposta

O antigo administrador do município do Bolongongo foi constituído arguido desde Julho do ano passado e estava a ser investigado por especialistas do Serviço de Investigação Criminal(SIC) sob acusação de crimes de peculato e falsificação.

Tudo começou em Junho de 2020, quando os oficiais do SIC, chefiados pelo investigador Francisco Manuel, permaneceram quatro dias na vila de Bolongongo, sede do município com o mesmo nome, que culminou com a interdição do administrador de aceder ao seu gabinete de trabalho, o que perspectivava a sua detenção nos dias seguintes.

Entre os indícios de investigação, constavam o pagamento de serviços não prestados ao Estado, nomeação fictícia de funcionários que estavam a ser pagos como se de trabalhadores verdadeiros se tratassem.

Contra Miguel Gaspar, prendem ainda acusações de fazer constar na folha de salários nomes de alegadas pessoas inexistentes que auferiam ordenados em nome de chefe de gabinete do administrador, motorista e outros, práticas que terão ainda começado nos primeiros dias do exercício do cargo, pelo qual tinha sido indicado em 2018.

“Temos informações documentadas que indicam que tão logo o ex- administrador assumiu o cargo arrolou um bom número de supostos funcionários, nomeados, e a receberem salários de categorias de chefia”, contou a fonte.

A fonte deste jornal revelou também que só no primeiro ano se registou o pagamento de mais de 3 milhões de Kwanzas, que Miguel Gaspar foi levantando nos multicaixas.

Avançou ainda que, quando o suspeito tomou conhecimento da existência da investigação, atraiu algumas pessoas a irem ocupar os lugares de que o mesmo usufruía o dinheiro.

“Infelizmente, ainda tinham restado os cargos do seu motorista e do chefe do seu gabinete”, acrescentou a fonte. Entretanto, uma outra fonte do SIC revelou que, além de mandar chamar as pessoas citadas, o ex-administrador terá investido numa operação de charme que lhe permitiu atrair a simpatia do governador provincial do Cuanza- Norte, Adriano Mendes de Carvalho, com quem mantinha uma excelente amizade, provavelmente na tentativa de abafar as investigações.

A este quesito podem-se relacionar as estratégias usadas pelos antigos governadores da província, Henriques Júnior e José Maria dos Santos durante os seus consulados. O primeiro mandou “entregar” a empresa “Edi Bassanu” à construção dos 200 focos habitacionais no Bolongongo que nunca foram concluídos e o segundo entregou, alegadamente, a gestão da limpeza e o fornecimento de medicamentos ao hospital provincial.

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