Cirurgião quer aumento de anestesistas no Hospital do Kapalanga

Cirurgião quer aumento de anestesistas no Hospital do Kapalanga

Trata-se do médico que encabeçou a equipa que, recentemente, salvou um cidadão esfaqueado por 28 vezes. Ele realçou que a função do especialista em anestesiologia é determinante para o sucesso de uma operação cirúrgica

 

O médico cirurgião geral, Luís Francisco Domingos, disse que o hospital que dirige carece de anestesistas, já que possui apenas dois especialistas dessa área de saúde, sendo um de nacionalidade cubana e outro angolana. “Sem esse este técnico, o cirurgião não vai poder realizar o seu trabalho conforme deve ser, pois, incorre no risco de ver a sua função bastante condicionada.

Eles devem planear e executar sempre juntos, antes, durante e depois de uma empreitada”, declarou o cirurgião, tendo reiterado a importância que os seus colegas dessa área representam para um hospital.

Luís Domingos sublinhou que a actividades destes quadros é, sobretudo, indispensável nos blocos operatórios. Dada a sua grande importância, a especialidade é, hoje, denominada por anestesiologia e reanimação.

Isso porque, para os pacientes que chegam em estado de choque, o anestesista precisa já de começar com a sua actividade de reanimação, de passar fluidos que lhe vão compensar, o que a torna uma especialidade muito complexa e completa.

Para si, o número de anestesistas do seu hospital representa metade daquilo que se precisa num estabelecimento de saúde de dimensão municipal, como é o do Kapalanga. “Pelo menos um em cada turno, quer dizer, para se fazer uma cobertura diária, precisávamos de sete anestesistas com os seus respectivos assistentes, porque, normalmente, estes especialistas são auxiliados por um técnico médio versado nessa área”, realçou.

Explicou, igualmente, que o médico anestesista desempenha uma função determinante nas actividades que devem resultar em operações cirúrgicas, porque é a ele que compete o serviço de analgesia ou anestesiar o doente, para que o mesmo não sinta dor.

“Existe anestesia local, que não precisa, exigente mente, de um médico anestesista. Eu sou cirurgião, se estiver para fazer uma pequena cirurgia, com uma anestesia local, posso introduzir a anestesia na área onde vou operar e fazer a devida extracção”, reforçou.

Já o especialista, fá-lo de forma mais profunda, ao ponto de proceder a chamada raqui-regional, que é a anestesia espinal, através da espinha dorsal, que é mais feita nos casos de partos por via de cesariana, soube o jornal OPAÍS do seu interlocutor, que acrescentou dizendo que, para este caso específico, só se deve anestesiar do umbigo para baixo, onde se vai processar a operação cirúrgica.

Outras operações que o cirurgião- geral acha que merecem o mesmo tratamento são as hérnias enguinais e todas as cirurgias que são feitas debaixo do umbigo, que podem processar-se com anestesia raquidiana.

Mas admitiu, em seguida, que eles podem esticar este tipo de anestesiação para algumas regiões do corpo que ficam um pouco mais acima do umbigo, partindo, neste caso, para uma cirurgia supra-umbilical, que, normalmente, pode ocorrer com o doente desperto e consciente, ao ponto de, certas vezes, ser possível uma conversa entre a equipa médica e o paciente, que, nessa altura, poderá estar isento de alguma dor que o incomode bastante.

Quando se requer entubação na cirurgia O entrevistado contou que, para as cirurgias de grande porte, devem ser iniciadas com uma anestesia com entubação endo- traqueal, que corresponde a uma anestesia geral que remete o doente a ser relaxado, receber a ventilação mecânica, porque, com os relaxantes musculares, também vão relaxar os músculos da respiração.

Por essa razão, segundo disse, tem de haver uma máquina a dar o suporte ventilatório, de modo a manter-se a vitalidade pulmonar e cardíaca, para o cirurgião conseguir realizar a sua cirurgia.