É de hoje…Monólogo

É de hoje…Monólogo

Quando há dias, neste mesmo espaço buscamos os acontecimentos da década de 80, em que o suposto grupo ‘Caixão Vazio’ era descrito como estando a perpetrar uma série de ataques, esperávamos que se olhasse para as informações que vão surgindo nos últimos dias com atenção redobrada.

Felizmente, a Polícia Nacional, através do Serviço de Investigação Criminal (SIC), veio a público esclarecer que não existe uma onda de raptos como se tem propalado, assim como garantindo que muitos dos supostos sequestros anunciados não passavam de simples simulações, em que muitas vezes são as supostas vítimas que pretendem tirar dividendos.

Não há dúvidas de que existam alguns casos isolados. Numa sociedade como a nossa, com um elevado índice de desemprego e a influência que se vai recebendo de outras paragens, haverá, seguramente, um ou outro caso que se assemelhe a alguns casos que vão sendo relatados. Porém, é provável que tenham acontecido.

O que se está a dizer é que não existem raptos em massa, como se quer fazer crer. E pior ainda é quando se quer ventilar a hipótese da existência de grupos organizados que estarão a roubar, em quantidades industriais, corações, rins, fígado e outros órgãos, em qualquer lugar, durante o dia.

Não sendo um especialista em medicina, ainda assim me atrevo a concluir que a retirada de um determinado órgão do corpo humano, para um suposto cliente, exige mais do que uma simples destreza de um pilha galinhas ou assaltante de carteiras.

Por exemplo, é necessário que o órgão em causa seja compatível com o destinatário, algo que só é possível depois de aturados exames.

Não é em vão que existem longas filas de espera para a realização de transplantes, que é alongada, largamente, por causa da incompatibilidade que existe entre muitos seres, mesmo quando surgem doadores, sobretudo, nos países desenvolvidos.

Talvez se leve, posteriormente, as pessoas para outros países, mas é um processo ainda mais complexo, que talvez só mesmo redes muito bem montadas é que conseguem ultrapassar algumas das barreiras existentes.

Mais do que esclarecer a ocorrência de determinados crimes, as informações apócrifas que vão sendo disseminadas exigem também o concurso de outros especialistas.

Não se pode permitir monólogos. Nem que sejam somente os investigadores criminais, os parentes de pessoas supostamente desaparecidas e determinados sectores da própria sociedade.

Infelizmente, aos órgãos de comunicação continuam a chegar casos de pessoas desaparecidas. São cidadãs com rostos, cujos parentes andam sumidos há alguns dias, e que deverão merecer da própria polícia o mesmo espírito de entrega para a resolução destes casos e a competente divulgação. Também não é mentira que, entre nós, as simulações fazem morada. Se até um antigo ministro dos Petróleos foi submetido a este expediente, o que dizer dos demais?