Esfaqueado 28 vezes salvo por si “morreu duas vezes”

Esfaqueado 28 vezes salvo por si “morreu duas vezes”

Procurando dar um exemplo concreto da grande necessidade de um anestesista, o cirurgião Luís Domingos recorreu à recente ocorrência que fez chegar ao Hospital Municipal do Kapalanga um cidadão esfaqueado por uma adolescente por 28 vezes

 

“Fui eu que operei o cidadão que levou 28 facadas. Antes da cirurgia, este paciente fez uma paragem com indicação de morte. O anestesista que trabalhou comigo conseguiu fazer a reanimação, recuperando a vitalidade do ferido, tendo sido isso o factor que possibilitou repararem-se as lesões que ele apresentava no tórax, no coração, no pulmão esquerdo e no abdómem, regiões do corpo onde tivemos de fazer uma série de ´arranjos´”, relatou o médico.

Segundo o responsável, o processo de reparações exigentes para contrapor a gravidade que esse nível de ferimentos pode representar, resultou noutra paragem cardíaca do paciente, depois das cirurgias feitas.

Salientou que, tiveram de voltar a reanimá-lo e conseguiram trazer o cidadão à vitalidade. A operação durou mais de três horas “E operei-o com um técnico de anestesia que não é médico, mas conseguiu manter o paciente anestesiado, enquanto foi necessário, e mantê-lo vivo no período pós-cirurgia, isso me alegra bastante”, aplaudiu, para demonstrar que a qualidade por si profetizada não é em vão.

Em 2013, ainda destacado no Hospital Josina Machel, Luís Francisco Domingos foi considerado como o cirurgião que mais cirurgias tinha realizado, contabilizando, até ao fim do referido ano, 470 pacientes operados, com apenas 4 baixas que evoluíram para fatalidade.

“Muitas vezes, há casos que já chegam no estado terminal, nós reanimamos e tentamos operar e dar suporte cirúrgico, contanto que, nem sempre chegam a sobreviver”, admitiu. Licenciado em Cuba, o ciurgião-geral que deu continuidade aos seus estudos e terminou a especialização começada em Angola, no Brasil, acredita que Angola pode contar com os quadros nacionais para entrar num processo de passagem de experiência e competência, de modo a tornar-se, paulatinamente, independente, no sector da cirurgia.