Hospital do Kapalanga sufocado com mais de 700 atendimentos por dia

Hospital do Kapalanga sufocado com mais de 700 atendimentos por dia

Concebido para atender apenas 70 pacientes por dia, sobretudo em serviços de urgência e consultas externas, o referido estabelecimento de saúde vê-se obrigado a receber sete centenas de enfermos diariamente. Hoje, a Medianova associa-se a uma iniciativa com o Clube dos Médicos e a organização Luzolo Yetu para atender os utentes do referido hospital.

 

O director-geral do hospital municipal de Kapalanga, no município de Viana, em Luanda, Luís Francisco Domingos, referiu que a equipa que lidera se vê, diariamente, em dificuldades para atender a população que procura os seus serviços, por causa do número elevado de doentes.

“Este hospital foi concebido para atender apenas 70 pacientes por dia, sobretudo nas urgências e consultas externas e nós aqui atendemos 700. Por isso, não deve admirar a ninguém que o corpo médico daqui se queixe de falta de materiais gastáveis”, declarou o director da referida instituição de saúde.

No cargo de director dessa instituição hospitalar desde 2019, o médico especializado em cirurgia geral recordou que o estabelecimento está na categoria de unidade primária, no nível assistencial também primário, sendo a única unidade de referência no município de Viana, actualmente, considerado a municipalidade mais populosa de Luanda e de Angola.

“Viana tem uma densidade populacional que muitas províncias do país não possuem e essa unidade hospitalar não tem capacidade de atender toda a população que aí chega”, disse sem muitos rodeios o responsável, que realçou, igualmente, o facto de o hospital que dirige atender os habitantes dos municípios de Icolo e Bengo e Quiçama.

Assegurou, que, apesar disso, ele e a equipa que lidera têm redobrado esforço, fazendo tudo para conseguirem dar resposta aos cidadãos que acorrem ao seu estabelecimento de saúde, à procura de assistência médica e medicamentosa. Luís Francisco Domingos adiantou que, para minimizar a situação da demanda, cada distrito do município de Viana devia ter um hospital com a dimensão e a categoria do Kapalanga e com quadros completos.

O responsável, preocupado com o facto de o país e o mundo se encontrarem em tempo da pandemia da Covid-19, chamou a atenção das pessoas para a exigência de cada doente ter de ser tocado com luvas, questionando, em seguida, onde podiam tirar tanto material gastável do género.

“Muitas vezes, para se tocar num único doente, precisamos de mais de dois pares de luvas e isso multiplicando pelos 700 pacientes, podemos chegar a uma situação complicada, que se agrava ainda mais com a vida económica que Angola atravessa”, disse Luís Domingos, tendo adiantado que, nem sempre têm resposta para tudo, embora tivesse de admitir que, em alguns dias da semana, os haja.

Sobre a solução destes casos, o dirigente confessou que, quando não têm outro recurso, têm mesmo de recorrer aos préstimos da população, solicitante para arranjarem este ou aquele par de luvas. “Isso tem sucedido, não posso dizer que não, embora nem sempre sejamos bem compreendidos por alguns.

Há quem entenda que há exiguidade de materiais gastáveis e, em determinada altura, o paciente tem de trazer um par de luvas para levarmos a cabo o seu tratamento”, referiu o director do hospital do Kapanga, lamentando que a maior parte só leva essa questão para o lado negativo

 

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