Otchiva refloresta mangais em homenagem às vítimas da Covid-19

Otchiva refloresta mangais em homenagem às vítimas da Covid-19

O projecto Otchiva pretende reflorestar, na zona do Morro dos Veados, o mesmo número de casos activos da pandemia que Angola registou até à presente data e honrar as vítimas mortais. A protecção dos mangais vai ser o tema Cimeira da união Africana, em Fevereiro

 

Um ano depois da última campanha, o Otchiva retoma hoje, 30, em Luanda, as suas campanhas de reflorestação de mangais que, neste primeira actividade, vai homenagear os que pereceram neste período vítimas da Covid-19. “Vamos honrar os que foram vítimas da Covid-19 e agradecer o esforço que os médicos estão a fazer plantando mangais”, disse a coordenadora do projecto Otchiva, Fernanda Renée. A expectativa é que o número de mangues a reflorestar chegue aos cerca de 19 mil 723 para assinalar, simbolicamente, o número de casos de Covid-19 que Angola acumula até à presente data.

A campanha de reflorestação vai decorrer na zona costeira do Morro dos Veados, prevendo-se a participação de vários voluntários oriundos de muitos bairros da capital. Fernanda Renée lembrou que todos os dias há manifestação de pessoas que se disponibilizam para participar na campanha e, por esta razão, não sabe precisar quantos voluntários estarão no local, atendendo que o convite é feito publicamente através das redes sociais. Entretanto, a responsável do Otchiva adiantou que estão acautelados todos os aspectos de biossegurança, particularmente no que diz respeito ao distanciamento, onde estarão divididos em subgrupos de 10 integrantes cada.

“As zonas de mangais são muito vastas e não haverá necessidades de fazermos ajuntamentos de voluntários”, explicou Fernanda Renée. Na última campanha, que contou com a participação do VicePresidente da República, Bornito de Sousa, participaram mais de mil voluntários que reflorestaram cerca de 70 mil mangues numa área de 44 hectares que antes se encontrava completamente degradado. A Covid-19 impediu que os voluntários continuassem as actividades de reflorestação durante um ano, tendo em conta que a última actividade aconteceu no dia 1 de Fevereiro de 2020. Porém, Fernanda Renée Samuel ressaltou que o confinamento trouxe um aspecto positivo para o local reflorestado, pois a falta de movimento humano permitiu que as sementes se desenvolvessem sem dificuldades.

Zonas húmidas

A actividade de hoje serve também para comemorar o Dia Mundial das Zonas Húmidas, celebrado a 2 de Fevereiro, e decorre da Convenção Ramsar, assinada em 1971 que entrou em vigor desde 1975, visando promover a cooperação internacional e incentivar as acções nacionais no sentido de promover uma gestão racional e sustentável das zonas húmidas. Hoje, espera-se, também, a participação de pescadores e comunidades que vivem nos arredores do Morro dos Veados, que são beneficiários directos do processo de reflorestação, pois de lá retiram o peixe, crustáceos e mariscos para a sua sobrevivência.