VERGONHA

VERGONHA

Por: Dario De Melo

 

São três as vergonhas que me incomodam ( entre outras que talvez haja) e que parecem não incomodar ninguém: … uma, a dos alunos que aprendem a ler tão tardiamente que entram no secundário a soletrar; (…por mercê do método que se aplica (com 400 anos de idade) não há milagre que lhes valha. Porque os milagres só acontecem quando por mor do o possível dos homens, se tem de recorrer ao impossível divino. Este tem e são três: 1ª – Não ensine o alfabeto; é burrice.

A criança só vai precisar dele quando tiver de consultar o dicionário. 2º – Não dê nome às letras. ( Outra burrice.)As letras não têm nome, têm som. Não ensine bê, cê, jota, éfe… etc… etc…) Cada letra tem um som. Por exemplo: O D com o som de; o C com o som que; o M com o som de leme; o J com o som hoje; o T com o som de leite; O V com o som de leve; O B com o som bibe: c com o som de que /o F com o som tráfego/ j /ge gi /com o som de laje; S / ce, ci com o som de passe;R com o som de marre Outra das vergonhas vergonhosas que temos é a da Biblioteca Nacional que tem vai para trinta anos, os livros encaixotados, os jornais sabe-se lá, embora tenha funcionários e naturalmente director Preocupa-me saber o que faz o INIC que não faz livros como anteriormente o INALD fazia; O Instituto de Línguas Nacionais que assiste, num choro sentido e descansado, ao óbito das desditadas às anteriormente chamadas”línguas nacionais”. A terceira Vergonha que tenho, é a da idade. O que me mata não é a cabeça, como podereis ver pelo que escrevo. O que mata são as pernas. Mas posso jurar a quem me aceite como assessor não remunerado que não pensarei com as pernas tremidas com que tropeço, mas com a cabeça fresca que ainda tenho. Dario de Melo