Clube dos Médicos acode pacientes de Viana e arredores

Clube dos Médicos acode pacientes de Viana e arredores

“Bom dia papás e mamãs. Temos uma feira de saúde no Hospital do Kapanga. As consultas são gratuitas. Há especialistas de várias áreas”, anunciava o activista comunitário Afonso Domingos, caminhando, ontem, pelas ruas do bairro Kapalanga, em Viana

Com o auxílio de um mega fone, a sua mensagem chegava ao interior das residências. Naquelas em que o som de música alta se sobrepunha a sua voz, não se inibia. Batia a porta para educadamente alerta os moradores da possibilidade de, na eventualidade de alguém estar doente, beneficiar da assistência médica e medicamentosa proporcionada pelo Clube dos Médicos, em parceria com a Medianova (proprietária do jornal OPAÍS e da Rádio Mais), a Associação Lusola Yetu e a ONU-SIDA.

“Passamos por mais de sete quarteirões. Eramos duas pessoas: eu e a minha colega Maria Luiza Dinis”, frisou, sublinhando ter executado satisfatoriamente a missão das 7h:30 às 13horas.

O alerta por eles lançado, reforçada com a divulgação feita neste Jornal, na Rádio Mais e na Televisão atraíram centenas de pessoas de diversas idades ao hospital. Neste local, as equipas médicas desdobravam- se para satisfazerem todos aqueles que foram em busca cura para as suas enfermidades.

No pátio do hospital, várias equipas médicas faziam a triagem dos pacientes. De seguida, os mesmos eram encaminhados para a consulta externa e de especialidade, onde eram recomendados a feituras de alguns exames médicos, em caso de necessidade. Alguns dos quais, como de testes rápidos de paludismo, foram feitos na hora e outros, mais complexos, encaminhados para os laboratórios do hospital.

Mal ouviu a mensagem de Maria Dinis, a senhora Isabel Manuel considerou ser o momento oportuno para levar a sua filha para ser consultada por uma especialista, uma vez que está há vários dias com tosse. “Era para vir ao hospital somente na Segunda-feira, mas ao ouvir a mensagem decidi vir hoje”, frisou.

À saída do hospital, Isabel Manuel carregava consigo alguns medicamentos que poderão contribuir para solucionar a enfermidade que apoquenta a sua filha, sem ter qualquer custo financeiro. Um gesto que considerou inédito.

“Apelo aos promotores desta iniciativa que façam isso mais vezes porque nós, aqui precisamos, tendo em conta que nem sempre somos atendidos no mesmo dia”, frisou. Acrescentou de seguida que “hoje teve muitas pessoas aqui, mas graças a Deus fomos todos atendidos. Sugiro que façam isso mais vezes, não só no Município de Viana como nos outros de Luanda e nas outras províncias que também necessitam”.

A mesma posição foi manifestada pela senhora Fernanda Martins que também levou o seu filho à consulta. Há dias que o pequeno tem sido acossado por febres, dor de barriga e dor de cabeça.

Clube dos Médicos alivia a dor da população

Apoquentada por algumas dores, Margarida Mungala Fela também aderiu à feira de saúde que decorreu na referida unidade hospitalar. Não imaginava que teria um atendimento muito diferente do que foi proporcionado às suas três filhas que estiveram internadas neste hospital.

“Há meses internei aqui com as minhas três filhas e, na altura, até seringa de 50 Kwanzas tive que comprar. Isso para não falar de luvas e os medicamentos. Praticamente o hospital só dispunha de injecções e soros para as crianças”, frisou.

Um ponto de partida, focado no bem-estar das comunidades

O presidente da Associação Luzolo Yetu, Domingos António Cutabiala, declarou, ao OPAÍS, que a actividade ultrapassou as espectativas por terem encontrado uma organização que possibilitou com que fossem dada assistência médica e medicamentosa a todos que acorreram ao hospital. “A aderência foi muito boa. Foi significativa”, frisou.

Apesar disso, manifestou que os membros da sua associação estão felizes com aquilo que ajudaram a proporcionar aos munícipes de Viana e arredores, contudo, ambicionam, atingir outros níveis de satisfação.

Domingos António descreveu a feira como sendo o começo de uma série de actividades que preveem realizar e que estão expectantes sobre os êxitos que poderão alcançar. razão pela qual, de momento não ficaram imbuídos do sentimento de missão cumprida por completo.

“Sentimo- nos satisfeitos porque o nosso grande valor é proporcionar essa qualidade de vida às pessoas”, disse.