É de hoje… Passarela política

É de hoje… Passarela política

A um ano e alguns meses do próximo pleito eleitoral, pelo menos as gerais, que ditarão a escolha do Presidente da República, através do cabeça de lista do partido mais votado, as empresas que vendem merchandising já se podem posicionar para as escolhas que não irão faltar no cardápio’ dos nossos partidos políticos.

Nos últimos meses, muito por força dos acontecimentos que vão ocorrendo noutras partes do mundo, o EFF de Julius Malema, na África do Sul, e agora o político sensação rapper e adversário de Yoweri Museveni, Bob Wine, no Uganda, os nossos políticos, principalmente os da nova geração, decidiram-se pelo uso de boinas para se apresentarem junto dos angolanos.

Mesmo que uns o tenham usado antes, o facto de alguns políticos noutros quadrantes terem recuado ao seu uso, faz com que agora se faça disso moda. São boinas vermelhas, verdes, pretas. Não nos espantemos se, com o andar do tempo, os partidos com outras cores tenham nas suas fi – leiras quem o faça também. Já estou a ver a FNLA com um amarelo e vermelho, o PRS e o Bloco Democrático com verdes ou ainda os homens da CASA- CE também todos amarelinhos.

Imortalizado pelo lendário Che Guevara, o uso da boina, independentemente da cor que ela venha a ter, evidenciava a posição revolucionária de muitos, sobretudo numa fase em que os ideais libertários faziam furor pelo mundo, mormente na América Latina, Caraíbas e aqui mesmo em Africa. A julgar pelo que temos visto, ainda está por se perceber a razão que nos últimos dias tem feito os nossos jovens turcos, na situação e na oposição, a se exibirem perante os angolanos com este adereço.

Mais do que moda, não se vê entre nós supostas ideias libertárias ou mesmo acções concretas viradas para a juventude, que muitos deles dizem representar, e insistentemente acenam na hora do voto.

O seguidismo atingiu até mesmo outros pequenos movimentos que também se vão apresentando no exército de supostos salvadores que se mostram para resolver alguns dos problemas que o país atravessa.

Não nos espantemos que em 2022, para além dos resultados eleitorais, ainda haja tempo para se apurar quem são os que melhor apareceram ataviados.

A beleza nunca esteve dissociada da política. Engane-se quem pense o contrário. Escreve Robert Michel, no célebre livro ‘Para uma sociologia dos partidos políticos na democracia moderna’ que, em 1921, entre os 33 deputados eleitos pelo Partido Socialista, pelo menos dezasseis eram homens de beleza acima da média, todos dotados de magníficos narizes, olhos, dentes e belas vozes.

Quando ao contrário de ideias, programas e acções para se atenuar determinadas situações, o que vemos é uma autêntica passarela de políticos, exibindo mais os seus trajes do que aquilo que pode constituir substância dos seus propósitos, alguma coisa não caminha bem. Diriam alguns amigos, o que temos visto hoje é mais ‘banga fukula’ do que política no verdadeiro sentido da palavra.