MEA denuncia os meandros da inserção de fantasmas na Educação

MEA denuncia os meandros da inserção de fantasmas na Educação

O presidente do Movimento Estudantil Angolano (MEA), Francisco Teixeira, revelou, ao jornal OPAÍS, que nos concursos públicos anteriores muitos foram os detentores de cargos públicos, como directores e delegados municipais, que enquadraram filhos e sobrinhos para ganharem dinheiro, sendo que nunca apareceram nas escolas

Este processo, segundo conta, funciona através de um esquema em que os gestores escolares colocam os nomes dos seus familiares na lista das suas escolas, como empregados de limpeza e este, por sua vez, não aparece porque o seu único objectivo é ganhar dinheiro sem trabalhar.

“O grande problema é nos municípios. Os directores inscrevem duas a três pessoas, familiares seus, nas escolas que estão sob sua gestão para passarem a receber dinheiro do Estado e usarem para pagar a (propina) da faculdade”, frisou.

Para evitar que tais situações venham a ocorrer no concurso público para a admissão de 7.500 auxiliares de limpeza  de 2.ª classe, o MEA criou uma estrutura à parte de fiscalização que vai funcionar a partir dos municípios, por ser lá onde tudo acontece.

Por outro lado, Francisco Teixeira defende que se fiscalize a execução deste concurso público para se evitar o enquadramento de pessoas com nível académico superior a 6.ª classe e que não estão disponíveis a exercer essa actividade. Em seu entender, o Ministério da Educação (MED) tomou uma medida acertada ao impor que os concorrentes devem ter a 6.ª classe ou abaixo disso, uma vez que evitará que outras pessoas concorram apenas para ingressarem na função pública.

“Há necessidade que se fiscalize para que sejam mesmo admitidas pessoas com a 6.ª classe ou com menos disso porque nós precisamos de pessoas que estejam dispostas a trabalhar. Não de indivíduos que estão a concorrer para obterem o NIP (Número de Identificação Pessoal) e depois emigrarem para outras áreas da Administração Pública”, frisou.

O nosso interlocutor augura que os técnicos do Gabinete de Inspecção do MED fiscalizem todo processo e que a equipa técnica que está a trabalhar na avaliação e acreditação dos candidatos faça um trabalho exemplar.

Lamentou, por outro lado, o facto de a sua organização, apesar de ser considerada parceira do Estado na luta pela melhoria da qualidade do ensino, não ter sido chamada a fazer parte da equipa de auscultação ou consultados.

“Tanto o Ministério da Educação como os Gabinetes Provinciais da Educação não o fizeram, mas nós estamos aqui para dizer que o caminho a seguir deve ser este para se evitar o que aconteceu nos anos anteriores. Isto é, que se enquadrem familiares para o fim único de angariarem dinheiro do Estado sem trabalhar”.

Quanto às idades, fundamentou que a preferência para aqueles que têm entre 18 a 35 anos foi bastante assertiva porque as escolas precisam de pessoas com vigor físico para executar tais tarefas, ao contrário do que acontecia.

“Nos anos passados cometiam- se muitos erros porque enquadravam pessoas já na terceira idade e que, depois, não tinham força suficiente para realizar este tipo de trabalho”, frisou.

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