Restos mortais de Jonas Gwangwa, ícone anti-apartheid repousam no cemitério do Soweto

Restos mortais de Jonas Gwangwa, ícone anti-apartheid repousam no cemitério do Soweto

Os restos mortais do jazzista, compositor e produtor sul-africano Jonas Gwangwa, já repousam desde o último fim-de-semana, no Cemitério do Soweto

Com uma longa carreira, que atravessou quase 7 décadas, Jonas Gwangwa, arrancou ainda na sua adolescência e gozou de “fama merecida” no ambiente multicultural da África do Sul. O regime do ’apartheid’ perseguiu Gwangwa que, para salvar a sua vida e dos que lhe eram próximos, foi forçado a ir viver com a família no exílio.

A militância anti-apartheid de Gwangwa, que associava música e intervenção política, custou-lhe primeiro a liberdade de tocar livremente, desde 1960 no seu país natal.

Mas deu-lhe a projecção internacional de “ícone do jazz” necessário para tornar mais visível a luta de Mandela.

A viver no estrangeiro, durante mais de uma década, foi num regresso ao país natal, em 1965, que Jonas reencontrou a namoradinha Violet com quem se casaria poucos dias depois.

Anos depois, com a família estabelecida no Soweto natal, Gwangwa pôde continuar a desenvolver a sua carreira em benefício da luta pela liberdade da maioria negra sul-africana.

O exílio resultou dum atentado que destruiu a casa da família de seis. Dessa vez, em 1985, partiram para a Inglaterra e depois para os Estados Unidos — de onde regressaram com a queda do apartheid em 1991.

Casados em 1965, Violet e Jonas Gwangwa, que sofria de complicações cardíacas, faleceram com 11 dias de intervalo, este mês nos dias 6 e 17 aos 82 e 83 anos, respectivamente. Ramaphosa: Presciência de Violet salvou família de atentado.

A carreira musical de Gwangwa, que começou como integrante dos Jazz Epistles/Epístolas do Jazz cresceu e reforçou- se com a militância anti-apartheid. Os músicos, que como Gwangwa utilizaram a sua arte para promover a igualdade racial, foram perseguidos pelo regime. A repressão da música anti-apartheid fez-se logo sentir em 1960, com a imposição do Estado de Emergência aos clubes multiculturais onde se tocava jazz.

Em 1985, a sua casa no Soweto foi incendiada pelo regime. Mas a esposa, Violet “prescientemente”, segundo o elogio fúnebre do Presidente sul-africano, ganhara o hábito de fazer a família alternar as dormidas entre a sua casa e as de familiares.

Os seis membros da família Gwangwa sobreviveram, pois, ao atentado em que perderam a casa e os bens. Rumaram ao exílio, primeiro em Londres, depois nos Estados Unidos. Em 1991 regressaram, com a queda do regime.