“Soba” nega ter sido o autor do disparo que vitimou a jornalista da RNA

“Soba” nega ter sido o autor do disparo que vitimou a jornalista da RNA

O cidadão que, até então, tem sido pronunciado como o autor do disparo que vitimou mortalmente a jovem Alice Marcelino, jornalista da RNA, negou, em tribunal, tal autoria. Soba, como é conhecido pelos amigos, disse que não transportou a arma de fogo, pois, no momento do disparo, a mesma estava com o co-réu, António de Almeida “Da Lua”

Depois de o Tribunal Provincial de Luanda ter recomendado aos Serviços Prisionais a presença do cidadão, até então identificado apenas por Soba, eis que, na última audiência, foi ouvido como declarante na 1ª Secção da Sala dos Crimes Comuns.

Evânio António Adão Mangueira, mais conhecido por Soba, de 20 anos, confirmou que conhece os quatro réus presentes no tribunal, sendo três (António de Almeida “Da Lua”, Evander Justo “MT” e Alison Manuel “Milibu”) seus amigos e comparsas, e um (José Nunda de Almeida), alguém que algum dia concertou-lhe a motorizada.

Soba confirma que esteve no dia em que aconteceu o homicídio, que ninguém foi com intenção de matar e que o objectivo era apenas roubar a placa electrónica, fio de ouro e dinheiro, caso tivesse. A arma, segundo o declarante, estava com o seu comparsa, Da Lua, e foi ele quem disparou contra a jornalista, tão logo apercebeu-se de que ela estava na janela.

O jovem Soba, que gesticulava bastante para tentar provar que não efectuou o disparo, disse que a sua participação no assalto consistia em “congelar” a vítima, ou fazer com que não haja resistência no momento do assalto. Não chegou a fazer isso, disse, pois tão logo pulou o muro da casa da jornalista, apenas ouviu a senhora a perguntar quem estava no quintal e, de seguida, ouviu o disparo.

Explicou ainda, na instância do juiz, que assim que ouviu o disparo, saltou para a parte de fora, tal como o comparsa e puseram-se em fuga. Quando perguntado pela primeira vez pelo juiz da causa quem tinha feito o disparo, o declarante Soba disse que não sabia de onde veio o disparo. Não satisfeito, o juiz da causa pediu a cada um dos três réus (os seus amigos e comparsas) que se levantassem e dissessem se nas declarações de Soba havia alguma inverdade. Os três foram unânimes em dizer que Soba estava a mentir quando disse que quem estava com a arma é o Da Lua, porque na parte de fora do quintal a arma foi-lhe entregue por Milibu.

O co-réu Milibu ainda acrescentou que chegou a ficar chateado, pelo facto de Soba ter disparado, uma vez que a arma tinha poucas munições, apenas quatro (4), pelo que era para serem bem geridas. Como foi que conseguiu a arma? Roubou-a de um segurança privado enquanto adormecia no seu turno.

“Eles me culpam por ter fugido”

O grupo de acusados é composto por quatro elementos, mas o que terá supostamente feito o disparo mortal era pronunciado nos autos como prófugo. Era o Soba, que teve de ser arrolado no processo como declarante, enquanto cumpre pena na Comarca de Viana, pelo cometimento de um outro crime (danos materiais).

Soba continuou a defender que não efectuou o disparo e que, quem estava com a arma é o Da Lua – indivíduo este que quando concertaram o assalto ficou com a responsabilidade de desmontar as placas.

De tanta insistência, mudou o discurso, alegando que o disparo, que a princípio não tinha sido identificado o autor, fora feito por Da Lua. O juiz perguntou se sabia a razão que leva os três amigos o apontarem como autor do disparo, pelo que Soba respondeu que deve ser o facto de ter sido o último a ser detido.

“Eles montaram este álibi para se vingar de mim, pelo facto de ter fugido, de ser o último do grupo a ser detido”, disse, Evânio António Adão Mangueira, o Soba.

O advogado de defesa, Leonel Gama, levantou uma questão prévia que consistiu em pedir ao tribunal que se adiasse o julgamento, para que Soba fosse constituído arguido, e não declarante, neste processo. No mesmo diapasão alinhou a advogada assistente, Ana Cláudia.

O juiz, o Ministério Público, bem como os outros dois advogados de defesa, discordaram. O juiz disse que não há factos novos que podem mudar o curso do processo. “Ouvir o declarante não vai prejudicar a defesa dos outros réus”, sustentou.

Entretanto, o advogado, não satisfeito, disse que vai recorrer à decisão. Por outra, na última audiência, o co-réu José Nunda – o elemento que, no grupo de quatro, os outros três não sabem de onde apareceu e por que razão estava a ser julgado naquele processo, para além de não o conhecerem de lado algum – reponde em liberdade, sob termo de identidade de residência.