“As obras produzidas pelos formandos fazem parte do processo avaliativo dos mesmos ao longo do ciclo de formação”

“As obras produzidas pelos formandos fazem parte do processo avaliativo dos mesmos ao longo do ciclo de formação”

O instituto Politécnico de Arte (CEARTE), localizado no Camama em Luanda, continua a somar no que à transmissão de conhecimentos técnicos e científicos para a formação com êxito dos seus alunos se refere, não obstante as dificuldades por que tem passado. Eusébio Pinto, director da referida instituição, faz um breve balanço dos seis anos de actividades do maior centro de formação artística do país

CEARTE, seis anos depois, que balanço faz desta instituição em termos de formação?

Bem, depois de seis anos de actividades do instituto, podemos dizer que o balanço, em termos de formação, é satisfatório. É óbvio que não se trata de um balanço que seria o desejável, devido às várias adversidades que a instituição tem vivido ao longo da sua existência, mas tem sido possível cumprir com os ciclos formativos previstos até então, a excepção do ano de 2020, que, por razões relacionadas com a pandemia da Covid-19, não foi possível a conclusão do ciclo formativo dos alunos finalistas, que só vai acontecer em meados do presente ano. Em 2018, houve o primeiro grupo de alunos que concluiu o ciclo de formação de 4 anos e, em 2019, tivemos o segundo grupo.

Em que residem as vossas maiores dificuldades actualmente e quais são os sectores prioritários em termos de intervenção imediata?

As nossas maiores dificuldades resumem-se na inexistência de recursos financeiros sufi cientes para podermos cumprir de forma exitosa as nossas actividades. Se tivermos que falar de intervenção imediata, enquanto gestor da instituição, elegeria a manutenção das infra-estruturas e dos equipamentos.

A localização do CEARTE fora das comunidades também tem sido um dos grandes obstáculos quer para os estudantes quer para a docência. Como está a direcção a articular-se para inverter o quadro?

Ao longo dos anos, vários contactos foram encetados com as entidades públicas, com destaque para o Governo da Província de Luanda e a Administração Municipal de Talatona, assim como com várias operadoras de transportes públicos, mas, infelizmente, nunca tivemos o resultado desejado.

Houve muitas desistências?

Ao longo dos anos, notaram-se algumas desistências. O principal motivo que tem provocado desistências é a dificuldade que os alunos enfrentam para chegar e sair do instituto. A nossa localização é numa zona de certa forma isolada, sem acesso a meios de transportes públicos ou redes de táxis. Por causa disso, os meninos têm que fazer longas deslocações apeadas e os amigos do alheio aproveitam para fazer assaltos e até praticarem actos de violação às meninas.

Como têm sido divulgadas as obras dos formandos?

As obras produzidas pelos formandos fazem parte do processo avaliativo dos mesmos ao longo do ciclo de formação e muitas delas, a excepção das ligadas as Artes Visuais e Plásticas, são de natureza imaterial, como as músicas, as peças de teatro, as coreografias de dança, etc. Logo o foco não é a divulgação.

Quando falamos de obras dos alunos, temos que referir aos vários trabalhos práticos de avaliação ao longo do ciclo formativo e aos trabalhos de fim de curso, que se traduzem em monografias apresentadas individualmente ou por grupos. Como fiz menção, a maioria dessas obras são de natureza imaterial e são registadas nos arquivos digitais da instituição. Quanto às monografias, um exemplar é depositado na biblioteca do instituto.

Quantos alunos previa o CEARTE receber inicialmente?

O CEARTE tem a capacidade para 3840 alunos, distribuídos em dois turnos. Mas é preciso ter em conta que o Ensino Artístico não é um ensino, digamos, de massas. Os candidatos para os cursos artísticos são submetidos a testes de aptidão e alguns acabam não demonstrando as mínimas aptidões para os cursos a que se candidatam. Outro factor que limita o número de concorrentes a alunos do CEARTE é a inexistência de níveis elementares do ensino artístico no Sistema Nacional de Educação e Ensino. Para alguns casos, como na música e na dança, principalmente, é preciso que se comece desde os 5 a 6 anos de idade. No primeiro ano de actividades, em 2015, tivemos 294 alunos. Estes números foram crescendo de ano para ano e, presentemente, temos 615 alunos a frequentar.

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