É de hoje… Lixo

É de hoje… Lixo

Quando em finais do ano transacto ouvimos a governadora de Luanda, Joana Lina, dizer que se iriam suspender os contratos com algumas empresas de limpeza na capital do país, não havia dúvidas em relação ao que viria a seguir.

É quase regular que, após à quadra festiva, o período que compreende entre as festividades do Natal e Ano Novo, a cidade se transforma num quase aterro sanitário, com lixo a transbordar dos contentores e funcionários até incapazes de lidar com os resíduos criados durante o mês de Dezembro.

Infelizmente, o fim (ou suspensão) dos contratos com as empresas que operam em Luanda coincidiu com a passagem do ano e as primeiras semanas de Janeiro. Por isso, haveria mais lixo na capital, em quantidades superiores às habituais e outros problemas associados.

Desde Janeiro que Luanda, a sua periferia sobretudo, ganhou uma imagem nada dignificante, longe dos ganhos tímidos que já se faziam sentir em termos de saneamento básico.

Regressaram os amontoados de lixo em vários locais, principalmente na berma das estradas. As empresas prestadoras de serviço de limpeza estão a remover os seus meios, entre os quais contentores. Nem se vêem sequer as habituais varreduras com as quais já nos tínhamos habituado, nem mesmo em algumas centralidades.

O cancelamento pode ter sido necessário, mas é necessário que se agilize o processo para que não se piore ainda mais a situação.

Se cair uma chuvada por estes dias, as consequências serão nefastas. Quem acompanha o lucrativo negócio do lixo não tem dúvidas de que muita coisa cheirava mal sobretudo nos concursos realizados, nas empresas beneficiárias, assim como nos pagamentos que eram realizados.

Anualmente, apesar de o Executivo despender mais dinheiro, alargava-se também o volume da dívida para com as supostas empresas prestadoras de serviço de limpeza e saneamento, muitas das quais com ligações umbilicais com determinados responsáveis próximos ao poder político.

Gastar em quatro anos cerca de 1, 5 mil milhões de dólares só na capital, sem que se aposte noutros segmentos que poderiam fazer do lixo uma mais vália para a empregabilidade e até o desenvolvimento de algumas famílias, deixa qualquer um de cabelos eriçados.

Há muito que o lixo se tinha transformado num autêntico ‘filet mignon’ de uma casta privilegiada do empresariado angolano. É um negócio cujo cheiro sempre foi aprazível para muitos e poucos se queriam afastar dele.