Queda elevada das receitas leva empresas do Aeroporto internacional a despedir funcionários

Queda elevada das receitas leva empresas do Aeroporto internacional a despedir funcionários

Os responsáveis das empresas referem que, se a situação persistir por mais tempo, serão obrigados a caminhar para o encerramento das lojas e, desta forma, aumentar do número de cidadãos desempregados

Algumas empresas em funcionamento no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro dizem estar obrigadas a despedir parte dos trabalhadores, por conta do impacto da suspensão de algumas ligações aéreas e a recente adaptação a uma nova escala de voos, que diminuiu drasticamente a sua rentabilidade.

Enquanto algumas caminham para o despedimento de funcionários ou a suspensão de contratos, outras dezenas de empresas, sobretudo as micro e algumas agências de viagem, encerraram as portas por não conseguirem adaptar-se a esta nova conjuntura.

Domingas Neto é proprietária de um restaurante que gerou 30 postos de trabalho no Aeroporto de Luanda, mas foi obrigada a despedir perto de 20 e os que ficaram recebem apenas cinquenta por cento do salário, uma situação que considera difícil de gerir, se se tiver em conta o fraco rendimento da empresa e a necessidade dos funcionários para cumprir com as responsabilidades familiares.

O Cantinho Algarvio, que anteriormente acolhia três turnos de trabalho, tem receitas muito abaixo do que precisa para manter o serviço com a qualidade necessária e oferecer aos trabalhadores a dignidade que merecem.

Outrossim, encerrou outros dois estabelecimentos na Coreia e no Bairro Azul, em Luanda, com 14 e 16 postos de trabalho, respectivamente.

Sem falar em valores concretos, a responsável evocou o facto de, embora as receitas tenham caído em mais de metade, em relação ao final do ano passado, que também foi difícil de suportar, terem de continuar a cumprir, por completo, com as obrigações ligadas ao arrendamento do espaço, água, luz, segurança e impostos.

“Consideramos os impostos como o coração das empresas. Porém, muitas ficaram fechadas por alguns meses e já não abriram. As que continuam a funcionar estão numa situação muito difícil e que o Estado deve apoiar, por estarem a gerar emprego”, apelou Domingas Neto.

Edvaldo Tenente, gerente de uma loja de conveniência, disse que, antes do encerramento das fronteiras, recebiam acima de cem clientes por dia, fora os funcionários do aeroporto que também acorriam aos serviços da sua empresa.

Porém, actualmente, garantiu, a frequência diária de clientes reduziu significativamente em menos de duas dezenas e está condicionada à escala de viagens do aeroporto, pois “as vendas são fortemente influenciadas pelos voos que chegam ou partem para o Brasil, Portugal e África do Sul”.

“Desde o mês passado, já dois funcionários viram os seus contratos suspensos, porque a empresa não tem receitas suficientes para os manter. Se esta situação persistir por mais tempo, correremos o risco de encerrar a loja”, afirmou.

A mesma situação enfrenta a empresa onde funciona Jane Gomes, que lamenta a queda das receitas, na ordem de mais de cinquenta por cento, se comparado ao contexto vivido até Dezembro último.

O actual rendimento mensal da empresa, explica, subtraídos os valores para a manutenção do arrendamento e dos impostos, “não permitiu que se mantivessem todos os funcionários. Daí que, infelizmente, alguns foram despedidos”.

Refira-se que o encerramento temporário das fronteiras nacionais aéreas, marítimas e terrestres com a África do Sul, Austrália, Nigéria e Reino Unido foi uma das medidas que o Governo angolano encontrou para prevenir o país da nova vaga da Covid-19.

Dumilde Fuxi