Secretário-geral do PRS defende diálogo para se resolver conflitos

Secretário-geral do PRS defende diálogo para se resolver conflitos

O Partido de Renovação Social (PRS) entende que a melhor forma de resolver qualquer problema é estabelecer um diálogo para se evitar conflitos

O secretário-geral deste partido, Rui Malopa Miguel, fez esta afirmação quando analisava ontem, em Luanda, os acontecimentos ocorridos no Sábado, 30, no sector mineiro de Cafunfu, município do Cuango, na Lunda Norte.

Falando em conferência de imprensa, o responsável que reagia à morte, pela Polícia Nacional, de seis membros do autodenominado Movimento do Pretectorado Tchokwe(MPT), acusados de tentativa de subversão à ordem instituída, afirmou que “a pena de morte é proibida no país ”, conforme a Constituição da República de Angola(CRA).

“O Partido de Renovação Social (PRS) repudia qualquer acto contra a integridade à vida humana e entende que a melhor forma de resolver o problema é estabelecer um diálogo”, disse.

Socorrendo-se da Constituição, o PRS exige das autoridades angolanas explicações detalhadas sobre as mortes, para levar os autores às barras dos tribunais e que a justiça seja feita à dimensão do crime.

Recordou que, conforme estabelece a Constituição, no n.º 1 artigo 56, o Estado reconhece como invioláveis os direitos e liberdades fundamentais e cria as condições políticas, económicas, sociais, culturais, de paz e estabilidade que garantam a sua efectivação e protecção”.

Rui Malopa Miguel disse ainda que nada justifica a morte dos membros do Movimento do Protectorado Tchokwe, e o “Governo precisava apenas de criar condições de diálogo com os contestatários”.

Movimento de pressão

Considerou o Movimento do Protectorado Tchokwe como um grupo de pressão que reivindica melhores condições sociais para a sua região.

“Tudo o que se sabe, é que existe um movimento sociológico de pressão que reivindica as melhores condições de vida das populações na Lunda, particularmente em Cafunfu, é legítimo e legal”, disse.

Na visão do PRS, as reivindicações dos cidadãos devem ser vistas com seriedade e se pensar em políticas públicas capazes de satisfazerem as necessidades mais prementes da população.

Refira-se que o Partido de Renovação Social tem como seu principal “bastião”, a região Cuango, na Lunda-Norte, onde está localizada a zona mineira de Cafunfu.

Morre oficial das FAA ferido. O tenente coronel das Forças Armadas Angolanas(FAA) que teve ferimento graves, decorrentes de golpes de machado protagonizados por elementos ligados ao “Protectorado”, faleceu Domingo, 31.

Morte de tenente-coronel

A informação foi avançada ontem a O PAÍS, pelo porta-voz do Ministério do Interior(MININT), Valdemar José, que explicou que, depois de ser atacado, caiu tendo sido levado ao hospital onde morreu por não resistir aos ferimentos.

Referiu que foram os membros do Movimento do Protectorado Tchokwe que atacaram a esquadra e, em reação ao sucedido, as Forças de Defesa e Segurança reagiram prontamente para evitar a subversão da ordem.

Sobre o suposto envolvimento de estrangeiro, Valdemar José disse haver uma investigação em curso, e só no fim e que haverá um pronunciamento público.

Analista pede ponderação

O especialista em Relações Internacionais, Bernardino Neto, convidado a comentar o assunto, pediu ponderação e cautela ao analisar a situação que ocorreu em Cafunfu.

Para a fonte, em qualquer parte do mundo, o Estado defende os seus cidadãos e nunca acontece o contrário, pelo que aconselha os cidadãos a esperarem pelos resultados do inquérito que está ser feito pelas autoridades competentes.

“ Há quem diga que houve tentativa de subversão da ordem e, em consequência disso, as Forças de Defesa e Segurança reagiram para repor a ordem, mas também se fala em ter havido excessos”, disse.

Bernardino Neto disse ser necessário manter a paz e encontrar uma linha de equilíbrio, e considera as áreas fronteiriças, como é o caso de Cafunfu, sendo “híbridas” e gerador de conflitos, realçando que “dentro de um Estado dormem forças positivas e negativas”.

Se as Forças da Defesa e Segurança foram provocadas, o especialista defende que os autores destas provocações devem ser responsabilizados.

Finalmente, aconselhou as pessoas a evitarem o que chamou de “nacionalismo exacerbado” onde cada um pensa ou deve ter tudo na sua terra, em detrimento de outras regiões.