‘Eles não foram dar beijinhos aos nossos agentes’

‘Eles não foram dar beijinhos aos nossos agentes’

Para o Comandante-geral da Polícia Nacional, Paulo de Almeida, não houve um conflito, quando a outra parte não existe, isto é, o Protectorado Lunda Tchokwe. “Então, eu estou na minha casa, alguém invade, chama-se a isto conflito?”, questiona ele, que defende que Angola, tal como diz a Constituição, é um Estado uno e indivisível, e isto deve ficar bem claro.

Há que se distinguir a rebeldia, a insurreição, o bandidismo, do conflito, segundo Paulo de Almeida, pois quem ataca a unidade policial, as 4 horas da manhã, com catanas, armas e outros objectos contundentes, bem como feiticeiros, não vai com objectivo de dar “beijinhos aos nossos camaradas, iam para derrubar o poder instituído, matar os nossos agentes e içar a dita bandeira”.

Não se pode politizar esta situação, por se tratar de uma agressão, não a unidade de Cafunfo, mas de todos os angolanos, já que a esquadra é de todos nós e defende a ordem e tranquilidade pública do povo. “Não é justo que ninguém pergunte sobre os oficiais que receberam catanadas, machadadas e foram queimados, quando agiam em legítima defesa. Não são pessoas? São extraterrestres?”, volta a questionar. Perante tais factos, a Polícia lamenta a perda de vidas humanas, por considerar tratar-se do bem jurídico mais elevado de uma sociedade, pelo que aproveitou o momento para endereçar às famílias enlutadas os profundos sentimentos de pesar, assim como auguramos as rápidas melhoras dos feridos.

Polícia não fará nenhum inquérito

Sobre os resultados do inquérito, Paulo de Almeida disse que a Polícia não fará nenhum inquérito, aliás, a sua presença no local do acontecimento não foi para inquerir nada. Há um processo-crime que está a correr os trâmites legais, disse, e não há inquérito. “Que fique bem claro, connosco não há inquérito. Agora, se outras organizações quiserem fazer, que o façam”, sublinhou. Por outro lado, falou da desproporcionalidade da acção, alegando que o Estado não tem proporcionalidade, pois “se você estiver a atacar com faca, o Estado responde com pistola; se atacar com pistola, responde com AKM; se atacar com AKM, responde com bazuca; se atacar com bazuca, responde com míssil. Estado nunca pode ter proporcionalidade”, determina.

O Comandante-geral disse que só não ataca assim quem não sabe o que é a defesa de um Estado, e fez questão de citar o que dizem os teóricos da filosofia, “um Estado só vale se souber se defender”. “E quero aqui avisar já, toda e qualquer tentativa semelhante que quiserem fazer, vão levar. O Estado é para se defender. Nós não vamos permitir que o poder instituído seja conquistado com violência. Aqueles que tentarem mais invadir as nossas esquadras, ou outra instituição, terão resposta rápida, eficiente e desproporcional da PN”, finalizou.