Escolas de Benguela pedem materiais de biossegurança no reinício das aulas no ensino primário

Escolas de Benguela pedem materiais de biossegurança no reinício das aulas no ensino primário

Várias escolas na província de Benguela defendem a necessidade de o governo, por via do gabinete da Educação, reforçar o stock de álcool em gel, alternativamente, uma vez que o reinício das aulas está previsto para hoje, dia 10, Quarta-feira. Enquanto isso, muitas direcções de escolas estão a aconselhar os pais e encarregados de educação a levarem o produto às aulas

Da ronda feita pela reportagem deste jornal, sobretudo na periferia, foi possível constatar algumas insuficiências relacionadas, fundamentalmente, com a falta de água corrente e de álcool em gel, mas, apesar disso, as direcções de escolas tudo fazem para que tudo esteja a contento, de modo a que se possa receber milhares de crianças, esperançosas, porém, de que haja maior nível de adesão.

Na escola número 1087, no bairro do Cambanda, no município de Benguela, estão a ser preparados para um contexto adverso imposto pela pandemia da Covid-19, conscientes de que, doravante, em função das medidas de biossegurança previstas no Decreto Presidencial, que estabelece o estado de calamidade pública, vá haver, efectivamente, muito trabalho pela frente, uma vez que as crianças se sujeitarão a um novo normal, em que serão obrigadas a usar máscaras faciais.

“Não será tarefa fácil, por causa da curiosidade das crianças de quererem, eventualmente, trocar de máscaras”, disse, ao jornal O PAÍS, uma professora identificada apenas por Idinha.

A directora da escola Luís Gomes Sambo, Teresinha Chingue, assegura ter as condições criadas para receber as crianças no dia 10, embora, como noutras escolas, anteveja também dificuldades.

Para que a direcção de que é titular venha a lograr sucessos nesta empreitada de ter as crianças de volta em contexto completamente adverso, Chingue tem vindo a envolver pais e encarregados de educação, de modo a que estes preparem melhor as crianças antes de as mandar para a escola.

Relativamente às condições das infra-estruturas na perspectiva de biossegurança, a directora da Luís Gomes Sambo diz ter as possíveis, consubstanciadas em construção de pontos de lavagem das mãos – “e o que, se calhar, a gente ora é que no dia 10 não falhe água”, no sentido de facilitar a sua gestão.

Sobre a falha de água, Teresinha Chingue garante ter solicitado uma intervenção da empresa, no caso das Águas de Benguela, com vista a assegurar o fornecimento regular de um líquido que muita falta faz à escola, sobretudo neste período particular de Covid-19.

“(…) Pensamos que, como instituição escolar, não devia acontecer essa situação, porque é necessário que a água esteja disponível 24/24 horas, para viabilizar o processo e tendo em conta esta situação que nós estamos a passar”, considera, para quem há, neste momento, face à rotura de stock, imperiosa necessidade de se reforçar as escolas com álcool em gel.

Do Gabinete Provincial da Educação, o jornal OPAÍS obteve a informação de que muitas das preocupações reportadas pelas escolas são do seu domínio e, neste particular, estão a ser equacionadas medidas para as resolver.

Constantino Eduardo, em Benguela