UNITA pede responsabilização dos autores dos acontecimentos de Cafunfo

UNITA pede responsabilização dos autores dos acontecimentos de Cafunfo

A vila de Cafunfo, na Lunda-Norte, viveu momentos tristes no dia 30 de Janeiro do ano em curso, altura em que morreram seis cidadãos, como resultado de uma repressão policial, quando tentavam atacar uma esquadra local

Na voz do deputado Joaquim Nafoya, a UNITA exige que sejam responsabilizados “política, disciplinar e criminalmente” os autores dos acontecimentos ocorridos na vila mineira de Cafunfo.

O apelo foi lançado, ontem, em conferência de imprensa, em Luanda, durante a apresentação do relatório produzido no final de uma visita de constatação feita em Cafunfo, no dia 02 do mês em curso.

No dia 30 de Janeiro do ano em curso, as forças de defesa e segurança mataram seis pessoas, acusadas de tentativa de subversão à ordem instituída. Em comunicado, a Polícia Nacional esclareceu ter reprimido um grupo de mais de 300 pessoas, membros do autodenominado Movimento do Protectorado Português Lunda Tchockwe (MPT), quando tentavam atacar uma esquadra local.

No encontro com os jornalistas, a UNITA garantiu partilhar, com as autoridades judiciais, os dados recolhidos no local dos acontecimentos, realçando ser importante num Estado Democrático e de Direito.

Restabelecimento da paz social

Por outro lado, apelou ao Governo para restabelecer com urgência o clima de paz, tranquilidade e harmonia social no município do Cuango, na Lunda- Norte.

Joaquim Nafoya, que esteve à frente de uma delegação de cinco deputados e activistas cívicos, apelou ao Governo para “ mitigar a grave situação social e económica daquela região do país”.

Segundo o deputado, a UNITA exige também que seja revertido o quadro calamitoso derivado dos acontecimentos recentes na vila do Cafunfo e que haja o compromisso para que situações de género nunca mais voltem a acontecer.

Na conferência de imprensa, Joaquim Nafoya defendeu a imperiosa necessidade de melhorar a situação social das populações desta região, sendo que a maior parte vive numa situação de indigência. Estão nesta condição, segundo o deputado, que cita o relatório, ex-trabalhadores da extinta Diamang, que, posteriormente, passou a designar-se Endiama, sendo alguns com mais de 60 anos, que se sentem injustiçados e excluídos do sistema de compensação social, ou seja Caixa de Segurança Social (CSS) a que tinham direito por prestação durante o tempo de trabalho.

“Aquele grupo de cidadãos e suas famílias relegados à condição de indigência, muitos deles contribuíram para o surgimento de muitas vilas e cidades do Leste do país e não só”.

Em conversa com os jornalistas, Joaquim Nafoya manifestou a sua indignação pelo facto de a Endiama ter construído clínicas denominadas “Sagrada Esperança”, quase em todo o país, excepto nas províncias da Lunda- Norte, Lunda-Sul, e no Moxico.

“O problema principal que leva aquele grupo de cidadãos, particularmente jovens, a aderir ao movimento reivindicativo é a injustiça social e extrema pobreza naquela região do país”, disse.

Segundo a fonte, a pressão social é enorme, salientando que não existe nas províncias da Lunda-Sul e da Lunda-Norte instituições sociais com vocação para acolher cidadãos carentes, particularmente idosos.

Refira-se que a delegação da UNITA, que se deslocou a Cafunfo, foi integrada por Joaquim Nafoya, Sediangani Mbimbi, Domingos de Oliveira, António Ngalanela, Rebeca Muaca e a activista dos direitos humanos, Laura Macedo.