“Gang do cobre” que operava há anos travada no Porto de Luanda com mais de 11 mil toneladas

“Gang do cobre” que operava há anos travada no Porto de Luanda com mais de 11 mil toneladas

Há anos que uma gang, liderada por indianos e congoleses democráticos, com a conivência de funcionários da Administração Geral Tributária (AGT), Ministério da Indústria e Comércio (MINDCOM), Polícia Fiscal e de um escritório de despachantes, se dedicava a exportar para diversos países cobre supostamente furtado na via pública. O SIC anunciou ontem a apreensão de 15 contentores contendo tais produtos, 10 dos quais em Março último com três detidos que foram soltos depois sem qualquer responsabilização criminal

Onze mil e 65 toneladas de cobre subtraídos de bens públicos pilhados por supostos marginais, armazenados em cinco contentores de 20 pés, estavam na eminência de partir, ontem do Terminal Multiuso do Por to de Luanda, para um dos portos do Dubai, nos Emiratos Árabes Unidos, onde seriam comercializados a milhares de dólares.

O material foi apreendido Terça-feira, pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), através da sua Direcção Central de Combate à Corrupção e o Departamento de Investigação Criminal do Porto de Luanda, em coordenação com outras forças de segurança e serviços aduaneiros e portuários.

A gang praticava esta acção criminosa há anos, com a suposta colaboração de agentes do Estado, em troca de contrapartida financeira, segundo o SIC.

“Da investigação feita determinou- se uma associação criminosa que se dedica, há anos, a exportar sucatas e material ferroso e têm à cabeça cidadãos indianos e da República Democrática do Congo (RDC), com a intervenção de alguns angolanos”, afirmou o director do Gabinete de Comunicação Institucional de Imprensa do SIC, Manuel Halaiwa.

Para o êxito da operação, alguns cidadãos angolanos detentores de empresas espacializadas em exportação de resíduos ferrosos, designadamente a Gwala, Lda e a Ambitécnica – Soluções Ecológicas, Lda, que alugaram os seus alvarás ao cabecilha da associação criminosa.

Quando a mercadoria está pronta a embarcar, aí entram em cena os funcionários da AGT, MINDCOM e Polícia Fiscal que emitem pareceres favoráveis para a saída das mercadorias, “dando fé aparente de procedimento lícito”.

No entanto, apesar de a gang e o seu modus operandi serem do domínio das autoridades aduaneiras desde Março do ano passado, altura em que a Polícia Fiscal procedeu à detenção de três indivíduos, incluindo um dos seus efectivos envolvidos, e a apreensão dos 10 contentores, só passaram a fazer parte dos registos do SIC esta semana. O que perfaz um total de 15 contentores da aludida gang apreendidos.

Na época, os efectivos da Polícia Fiscal, através de uma inspecção instrutiva, constataram que o material de exportação e devidamente armazenado era, na verdade, cabos eléctricos descarnados, barras de cobre e de alumínio.

“De imediato despoletou-se um processo de cariz aduaneiro, por contrabando qualificado, onde foram detidos, preventivamente, dois funcionários da empresa Gwala, Lda e um agente da Polícia Fiscal, por negligência grosseira, soltos sem, no entanto, chegar- se ao proprietário primitivo da mercadoria, por encobrimento dos detidos”, afirmou Manuel Halaiwa.

Em declarações à imprensa, no referido terminal portuário, disse que para ludibriar as autoridades os cabos eléctricos e as barras de cobre são arrumadas de forma dissimulada com lixo metálico, preparados para exportação, como se de lixo, sucata ou resíduos ferrosos se tratasse.

Manuel Halaiwa explicou que a apreensão destes bens se enquadra no âmbito das acções operativas que estão a desencadear para combater o furto e a vandalização de postes de iluminação públicas e cabines de alta tensão para a subtracção dos cabos condutores de alumínio e cobre. Bens estes que “têm sido transformados em lingotes e posteriormente exportados para diversos países”.