É de hoje…É Rescova…

É de hoje…É Rescova…

Quatro meses depois da sua morte, aos 40 anos, o nome de Sérgio Luther Rescova continua a ser unanimemente evocado, demonstrando o carácter conciliador que terá representado em vida, incluindo em sectores da própria juventude distante da sua JMPLA.

Nos tempos que correm, em Angola particularmente, onde opinar o contrário ou não cair no gosto de determinados partidos políticos, organizações da própria sociedade civil, é um crime de lesa pátria, admira a persistência em que a imagem do antigo governador de Luanda ou do Uíge é positivamente encarada.

Dirão alguns que se trata de puro saudosismo. Mas não. No passado dia 10 de Fevereiro, completou-se quatro meses desde o seu passamento físico, por doença, no Hospital Girassol no Km 27, em Luanda. Na mesma altura, em Benguela, por insistência do jovem administrador da Catumbela, fez-se o lançamento da primeira pedra daquilo que virá a ser brevemente o auditório Sérgio Luther Rescova.

Embora seja uma iniciativa dos seus camaradas de partido, não passa despercebido o facto de a iniciativa ter ocorrido na província de Benguela, uma das mais aguerridas praças políticas do país.

Descrita por um amigo como sendo uma verdadeira polis, onde a política é discutida sem aos palmos e sem tabus, a unanimidade em torno da escolha do nome e do local em que será homenageado demonstra a sua aceitação, principalmente entre os jovens.

Fosse ele uma figura indesejada, ou que não caísse nas graças do secretariado local da ‘Grande Família’ ou de sectores mais conservadores da disputadíssima sociedade benguelense, a esta hora já se sentiria a temperatura a aumentar politicamente.

Quatro meses depois, numa fase em que o seu principal adversário político, a UNITA, está a roer os calcanhares, usando para o efeito alguma juventude, a maioria dos quais formatados durante os anos em que esteve nos Maquis, o MPLA, certamente, ainda não se refez da dimensão da perda que teve com o desaparecimento prematuro de Sérgio Luther Rescova.

Enquanto muitos mais velhos clamam no deserto por reconhecimento, em tão pouco tempo o ‘Mais Novo’ viu o seu nome inscrito para a posteridade em muitos projectos, entre os quais o aglomerado habitacional que ajudou a edificar no interior do bairro Prenda, em Luanda, depois de retirada de uma grua com mais de 40 anos. Isso só acontece com homens de outra dimensão.